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Por mais positivos e encorajadores que sejam os resultados em Portugal ou em qualquer outro país ou que se suavizem as restrições de confinamento para alguns setores de atividade económica por começar a consolidar-se o controlo da pandemia de Covid-19, continua a ser fundamental não baixar a guarda, manter a disciplina pessoal e acatar escrupulosamente as orientações das autoridades de saúde sobre as regras sanitárias e de distanciamento e isolamento social.

Em Portugal, felizmente, em comparação com outros países, os números não são tão dramáticos, mas nada garante que a situação se mantenha assim, mesmo que se tenha registado um período longo nas últimas semanas com um crescimento de novos casos de pessoas infetadas abaixo dos 10 por cento. Até 17 de abril, o número de mortes em Portugal ainda não tinha ultrapassado os 37 (3 de abril), o que, no meio desta tragédia, merece ser assinalado.

A verdade é que ninguém pode ficar descansado enquanto não se considerar de forma segura que a pandemia está controlada. E mesmo quando começar a haver uma redução consistente, continuará a ser necessário manter todas as cautelas. Por uma razão simples: esta pandemia não conhece fronteiras, nem classes sociais, nem parentescos e tem uma enorme facilidade de transmissão e de contaminação. Basta pensar, por exemplo, que foram precisos três meses para atingir 1 milhão de contaminados em todo o mundo, e que apenas nas duas primeiras semanas de abril este número duplicou para dois milhões.

Muitos países têm olhado para Portugal com admiração e expetativa por estar a conseguir conter a propagação rápida do vírus, que esperemos que nos afaste de uma situação tão dramática como a que atingiu a Itália, Espanha, França ou o Reino Unido. Isso deve-se ao facto de o Governo português ter começado a tomar medidas restritivas muito cedo, quando ainda nem sequer havia mortes no país, primeiro com o encerramento de escolas e logo de seguida com a declaração do estado de alarme e depois com o estado de emergência.

Estas decisões parece terem dado algum resultado, porque depois da primeira quinzena após a declaração do estado de emergência, para o que, obviamente, também contribuiu o respeito pelos Portugueses das regras de distanciamento e isolamento social, começou a verificar-se uma descida do número de infetados com um crescimento abaixo dos 10 por cento nas últimas semanas, afastando-nos, portanto, do temido crescimento exponencial. Mas quando se fala em suavizar as medidas ou mesmo na possibilidade de já termos atingido o pico de infetados, é preciso cautela para não transmitir às populações uma mensagem errada de falsa segurança, o que pode levar as pessoas a saírem mais para os espaços públicos de forma descuidada, o que, por enquanto, ainda é um tremendo erro.

Em vários países tem havido muita gente de diversos setores da sociedade preocupada com a economia, que está de facto paralisada e a sofrer um rombo gigantesco. A indústria está parada, os aeroportos fechados e imensos setores de atividade estão com quebras brutais de produção. Estima-se que só no primeiro trimestre do ano mais de 200 milhões de pessoas tenham perdido o emprego. Ninguém tem dúvidas, por isso, que após o tsunami sanitário virá o tsunami económico. Felizmente, na União Europeia os líderes conseguiram chegar a um acordo muito importante, mesmo que não seja para já a desejada mutualização da dívida ou algo parecido, para dar uma resposta a esta crise dramática originada pela propagação do Covid-19.

Porém, é preciso muito cuidado com a abertura da economia, para que não provoque um retrocesso nos resultados já alcançados. A experiência de alívio das restrições em países como a Noruega, a Áustria, a Alemanha, a China e outros certamente que servirá de lição para outros países, que assim poderão avaliar se é sensato ou não regressar tão cedo à atividade habitual.

Os tempos são muito exigentes para todos. Depende do comportamento de cada um de nós, em casa ou na rua, parar a cadeia de transmissão do vírus ou deixar que ele continue a infetar pessoas. E não nos podemos esquecer que quando uma pessoa contamina outra, o mais provável é que seja um familiar ou um amigo, que são aqueles com quem temos maior proximidade. Não podemos sequer confiar no facto de aparentemente nos sentirmos bem, porque muitos infetados não apresentam qualquer sintoma.

Por isso é tão importante que os Portugueses espalhados pelo mundo, onde quer que estejam, deem o seu contributo para parar esta cadeia de transmissão que está a fazer tantas vítimas e a causar um prejuízo tão gigantesco à economia mundial, que ninguém consegue prever com certeza quando retomará o seu curso normal.

Esperemos que, pelo menos, tenhamos aprendido alguma coisa desta crise sem precedentes na nossa história coletiva, integrando os valores éticos, humanos e ambientais necessários a novos padrões de vida e de desenvolvimento.

O mundo conta com cada um de nós neste combate que é de todos.

 

Opinião
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