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A Cônsul Geral de Portugal em Strasbourg, Patrícia Gaspar, quer iniciar no próximo ano, Permanências consulares em Nancy, Epinal, Belefort e Besançon. “Para já, temos identificadas estas quatro cidades, mas podemos vir a fazer noutros sítios, o Ministério dá-nos essa possibilidade” disse numa “entrevista-live” ao LusoJornal.

Esta era uma das primeiras ações que Patrícia Gaspar quis fazer quando chegou a Strasbourg em setembro do ano passado, substituindo Miguel Rita. Estabeleceu contactos com as autarquias e tudo estava a correr bem antes de chegar a pandemia que parou por completo este projeto. “Vamos começar com Nancy, porque a cidade já teve um posto de carreira, fomos bem recebidos pela Mairie e tudo estava preparado, até fizemos um teste com o equipamento, tínhamos sala, tínhamos tudo”.

Este Consulados nunca fez Permanências consulares, mas já tem dois Quiosques móveis para poder trabalhar. Antes de vir para Strasbourg, Patrícia Gaspar foi responsável pelo Departamento da Cifra e Informática no Ministério dos Negócios Estrangeiros e “fui preparando o caminho” diz a sorrir.

Este é o mais pequeno Consulado de Portugal em França, cobre uma vasta área geográfica, com 10 departamentos, mas tem apenas 5 funcionários. “Fomos uma estrutura maior, mas em 2011/12 o nosso pessoal foi diminuído e em termos de instalações, tivemos que dividir a nossa instalação com a Missão de Portugal junto do Conselho da Europa”. O posto tem cerca de 98.000 inscritos.

“Tenho uma equipa absolutamente excecional. São 5, mas são 5 funcionários muito bons. No entanto, tenho de fazer as Permanências quando ninguém estiver de férias” explica Patrícia Gaspar ao LusoJornal. “Eu levarei alguém comigo para as Permanências e os outros 4 ficarão em Strasbourg. Assim é exequível, mas estamos a trabalhar no limite e partindo do pressuposto que ninguém fica doente”.

 

Atendimento só por marcações

A pandemia de Covid-19 veio trazer uma nova organização ao Consulado. “Nós atendíamos ao público, de porta aberta, sem marcação prévia. Isto sobrecarregava os serviços porque nunca mandávamos ninguém embora. Agora, a marcação e o agendamento online permite-nos organizar o trabalho de outra forma. Sabemos quantas pessoas vamos ter nos dias em que vamos fazer as Permanências, sabemos quem marcou e se for alguém de uma cidade onde vamos fazer a Permanência, vamos avisar para evitar que venham a Strasbourg”.

Mas a Cônsul Geral diz que há praticamente vagas para ser atendido em duas semanas. O tempo de espera é pois curto, sobretudo se compararmos com outros Consulados onde a espera pode atingir os 4 meses. “Se houver urgências que nos contactem, nós atendemos imediatamente, assim como também, se tivermos capacidade, se vier alguém que fez 200 km e tem uma certa idade, se não conseguiu fazer o agendamento online, nós atendemos na mesma. Assim como nós fazemos, nós próprios, o agendamento das pessoas mais idosas e que nos contactam pelo telefone. Não tivemos nenhuma reclamação até agora”.

Como o posto é fronteiriço, atende por vezes Portugueses residentes na Alemanha e até no Luxemburgo, onde o tempo de espera para obter uma marcação é maior.

Quanto a uma antiga proposta de criar um Consulado Honorário em Nancy “acabou por não avançar e eu preciso de fazer esta entrada no terreno para ver se realmente é necessário criar uma antena ou não. Até ao momento não há nenhum projeto nesta área”.

 

Quase 750 lusoeleitos

Nesta área consular foram eleitos quase 750 autarcas portugueses ou de origem portuguesa, segundo a lista elaborada pela associação Cívica e divulgada no LusoJornal. Na região também foi eleito o Deputado Ludovic Mendes.

Quando Patrícia Gaspar chegou a França, estabeleceu contacto com a jornalista Fernanda Gabriel, na altura autarca em Strasbourg, e com Nathalie de Oliveira, então Maire Adjointe em Metz. Mas as duas, apesar de serem “destacadas membros da nossa Comunidade” não foram reeleitas.

“A minha ideia era de conseguir fazer uma reunião com o máximo de autarcas possível. Estou à espera que o confinamento acabe para conseguir ter um contacto mais próximo”.

 

Secção internacional tem poucos alunos

Na região há duas professoras de português. As duas ensinam no primário e uma delas dá também aulas na recentemente criada Secção internacional de Strasbourg, que vai dar, a partir do próximo ano, acesso direto a um dos liceus mais reputados da cidade.

Mas a secção tem poucos alunos e sem inscrições, pode não sobreviver.

Patrícia Gaspar garante que o Consulado tem feito uma campanha para divulgar a Secção internacional. “A Embaixada e o Instituto Camões, através da Coordenação do ensino de português em França, vão começar a fazer uma campanha muito forte a partir de janeiro para que consigamos atrair mais alunos, porque a Secção portuguesa só fará sentido se for alimentada com alunos e neste momento tem muito poucos”.

 

Associação de empresas necessita de novo empurrão

A Cônsul Geral ainda não teve oportunidade para estabelecer contacto com a rede de empresas portuguesas na região. “O Portugal Business Club é liderado pelo Conselheiro das Comunidades Rui Barata, uma pessoa muito ativa, mas está numa fase que precisa de mais um empurrão” disse ao LusoJornal. “Não há aqui uma grande empresa portuguesa ou de capital português”.

Patrícia Gaspar começou a trabalhar num encontro dos empresários da região com o Diretor da AICEP em Paris e também um trabalho com o Diretor do Turismo de Portugal em Paris, sobretudo para trabalhar num projeto de “Trajeto dos Judeus em Portugal”. “Como sabe, esta região tem uma comunidade judaica muito grande e era importante ele vir cá apresentar o projeto. Uma vez que não se concretizou este ano, esperamos conseguir no próximo ano”.

 

Ações culturais foram adiadas

Também os planos de promoção cultural de Patrícia Gaspar acabaram por não se realizarem. Ficou para trás o ciclo de cinema português, uma homenagem a Augustina Bessa Luís na Universidade, assim como as comemorações do 10 de junho, em colaboração com a Associação Cultural Portuguesa de Strasbourg, no Pavilhão Josephine. “O programa estava feito, mas tivemos que adiar. Felizmente está já programado para o próximo ano, em maio, para assinalar dignamente o Dia internacional da língua portuguesa”.

Também o conhecido Festival de Geografia de Saint Dié des Vosges, que este ano devia ter Portugal como país convidado, foi praticamente anulado. “É uma referência em França e este ano, o festival tinha previsto que o tema fosse o clima e que o país convidado fosse Portugal. Eu fui lá, com o Conselheiro das Comunidades Rui Barata, fomos almoçar com o Maire, fizemos uma parceria em contacto com o Conselheiro cultural na Embaixada de Paris, João Pinharanda” explica Patrícia Gaspar na entrevista ao LusoJornal. “Estamos à espera que Portugal possa vir a ser país convidado no próximo ano ou no ano seguinte”.

Também em Strasbourg, a Cônsul Geral falou com o Maire para que Portugal estivesse presente na Feira europeia “que tem muita visibilidade e muita gente”. Fica também em aberto para os anos seguintes.

 

70 Associações na região

O Consulado Geral de Portugal em Strasbourg tem registo de cerca de 70 associações de Portugueses na área consular. “Em grande parte são pequenas associações e são autosustentadas. Uma grande parte delas não paga instalações porque são cedidas pelas Mairies” e Patrícia Gaspar afirma que “ninguém nos veio bater à porta para nos pedir apoio, mas sabemos que as atividades estão sem acontecer”.

Quando chegou a Strasbourg, trazia a missão de visitar as associações. Ainda esteve, pouco antes do primeiro confinamento, num jantar com cerca de 700 pessoas, organizado pela associação portuguesa de Mutzig, em homenagem aos Bombeiros Voluntários de Almeida.

“O meu trabalho foi muito prejudicado com esta paragem, porque quando eu estava a começar a sair, a deslocar-me para ir encontrar as associações e conhecer as pessoas, tudo parou”.

Apenas uma associação da região estava credenciada junto da Direção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas. “Tratava-se do grupo de folclore Saudades de Portugal, mas atualmente já temos mais duas, a Associação cultural portuguesa de Strasbourg e a Associação dos Portugueses de Metz”.

Mas outras associações são bastante conhecidas, como é o caso da Associação portuguesa de Soufflenheim, que assinou um acordo tripartido entre a associação, a Mairie local e a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

Aliás, a Secretária de Estado das Comunidades, Berta Nunes, também teve uma visita programada a Strasbourg este ano, com um encontro com as associações portuguesas da região, mas também acabou por não se realizar.

 

Boa imagem da Comunidade

Patrícia Gaspar evocou também a imagem “muito positiva” que a Comunidade portuguesa da região tem junto das autoridades locais. “Este é um posto de facto muito interessante, é uma região muito diferente dentro da França. A Comunidade está muito espalhada, mas é uma Comunidade muito bem integrada”.

Dos contactos que a Cônsul Geral teve com Préfets e com Maires da região, “todos eles fizeram questão de enaltecer a contribuição dos Portugueses para o desenvolvimento da região. Para mim, é uma grata honra ouvir das palavras dos meus interlocutores franceses destacar o papel dos Portugueses. Nunca tive o registo de qualquer comentário que não fosse abonatório daquilo que são os valores dos Portugueses”.

“Queria também realçar que, apesar de estar aqui num cantinho, nunca me senti sozinha”. Patrícia Gaspar lembrou que o Embaixador Jorge Torres Pereira tem coordenado a articulação entre os diferentes Cônsules. “É realmente uma equipa inteira que está aqui em França, liderada pelo nosso Embaixador e é uma coisa que se sente no dia a dia. O confinamento até permitiu estreitar estes laços de coordenação”.

 

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