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A Embaixada de Portugal em França e a Coordenação do Ensino de Português vão arrancar em setembro com reuniões com parceiros no terreno para incitar pais portugueses e de outras nacionalidades a inscreverem os filhos na aprendizagem da língua. “Temos uma reunião em setembro, com todos os representantes de entidades locais, para apresentar uma campanha de esclarecimento aos pais, portugueses ou não, da importância da língua portuguesa e de as crianças se inscreverem em português”, afirmou à Lusa Adelaide Cristóvão, Coordenadora do Ensino de Português em França.

Em França, o ensino do português na primária é assegurado por professores colocados pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, passando depois a responsabilidade no ensino básico e secundário a pertencer às autoridades francesas. Esta continuidade é assegurada através do número de inscritos que deve ser expressa todos os anos aos Diretores das escolas francesas pelos pais. “Todos os alunos fazem inglês e depois como segunda língua, os alunos escolhem espanhol ou alemão. Este hábito está um pouco instalado. Temos de ter mais escolas de ensino básico e aí esta campanha poderá ser importante”, assegurou Adelaide Cristóvão.

Numa ‘rentrée’ especial devido à Covid-19, a representante nacional assegura que todos os cursos existentes de português nos diversos níveis de escolaridade em França vão continuar este ano, apesar de alguns atrasos na passagem dos inquéritos de inscrição devido ao confinamento.

“A preocupação dos pais, que é legítima, era que os cursos fechassem por falta de inscrições. Essa questão não se colocou, porque, desde o início, o Ministério da Educação francês na articulação que fez connosco disse que pelo menos os que estavam no terreno iam continuar”, disse a Coordenadora, acrescentando que mesmo em setembro, as escolas mostram “flexibilidade” para quem não se inscreveu previamente.

De forma a apoiar os agora 96 professores de português colocados pelo Instituto Camões em França – mais dois que no ano passado, com novas turmas do ensino primário a abrir nas regiões de Limoges e Dijon -, a Coordenação começou a distribuir ‘kits’ de máscaras, viseira e gel de forma a reforçar os protocolos de segurança já aplicados pelas autoridades francesas.

“Nós interrogámos o Ministério da Educação francês sobre as máscaras, mas tomámos precauções. Temos para cada professor um ‘kit’ com máscaras, gel e viseira”, indicou Adelaide Cristóvão, revelando que a Coordenação está também a criar o seu próprio plano de contingência.

Para além das aulas no ensino primário, nalguns pontos de França, os professores de português colocados pelo Camões dão também aulas em associações da comunidade.

Mesmo com uma crise nas receitas destas associações já que grandes festas ou convívios que serviam para pagar as despesas não se realizam desde março, Adelaide Cristóvão assegurou que ainda não houve nenhuma associação que tenha assinalado dificuldades na manutenção das aulas.

Sobre a utilização do português como língua viva para terminar o ensino secundário em França, a Coordenadora esclareceu que a língua de Camões “nunca saiu do currículo escolar francês” e que os alunos que aprendem esta língua desde o ensino básico podem continuar a utilizá-la para terminar os seus estudos.

A exclusão do português aconteceu “apenas” numa das 12 especialidades no ensino secundário francês, que passou a aceitar apenas o alemão, inglês, espanhol e italiano.

Esta opção, que se destina a quem quer especializar-se em línguas na universidade, voltou a integrar o português em determinados liceus na região parisiense e na Guiana francesa numa experiência piloto que vai durar dois anos, após esforços diplomáticos das autoridades dos países de língua portuguesa. A experiência ainda não tem resultados concretos.

“Estamos a ver, mas é um universo muito restrito. Destina-se apenas a alunos que já aprendem o português desde o sexto ano e querem seguir uma via literária de especialidade em português no ensino superior”, concluiu Adelaide Cristóvão.

 

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