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O Português Valentim Gonçalves, de 33 anos, foi encontrado inanimado na prisão de Fresnes, nos arredores de Paris, na noite de domingo para segunda-feira e acabou por falecer no Hospital da la Pitié-Salpêtrière, oficialmente vítima de ataque cardíaco. Foi encontrado no chão, com a cara para baixo, pelos guardas prisonais que aliás lhe prestaram os primeiros socoros, depois chamaram um médico e foi hospitalizado, vindo a morrer no domingo.

Mas a mãe, Filomena Gonçalves não acredita na versão oficial da morte do filho e vai levar o caso a tribunal porque diz que o filho foi assassinado com uma facada no coração.

Segundo o jornal Le Parisien, a mãe de Valentim, diz que foi informada da morte do filho no domingo, antes mesmo do momento «oficial» da morte. Alega que foi informada por «uma pessoa» e à Rádio Alfa disse que os detidos têm telefones e comunicam entre eles.

Segundo disse a mãe da vítima à Lusa, Valentim Gonçalves, que vivia em Bonneuil-sur-Marne, tinha sido condenado a um ano de prisão por ter sido «apanhado a conduzir sem carta de condução, depois de ter sido apanhado várias vezes». A Rádio Alfa disse também que, para além de ir a conduzir sem carta de condução, também ía ao telefone. Para o jornal Parisien, Valentim Gonçalves tinha sido preso por roubo. De qualquer das formas, Filomena Gonçalves diz que dentro de uma semana o filho devia deixar a cadeia, a 15 de maio, alegadamente por «bom comportamento».

«Ele já tinha dito que tinha problemas lá, mas não quis explicar. Vimos que tinha pisaduras nos braços. Como o meu filho, haverá muitos que estão lá a sofrer e que não têm ninguém», explicou a mãe da vítima.

Filomena Gonçalves acrescentou que vai ser aberto um inquérito sobre a morte de Valentim e pediu uma autópsia que vai ser realizada pelo Instituto de Medicina Legal de Paris, cujos resultados só deverão ser entregues dentro de seis meses. Arnaud Adélise, o advogado que representa a família, apresentou queixa no Tribunal de Créteil por «homicídio involuntário contra X».

Arnaud Adélise não considera normal que a autópsia demore tanto tempo e associa este caso ao de algumas outras mortes na mesma prisão desde o início do ano.

Parece que Valentim teria tido uma discussão na cela, mas até agora não é ainda possível saber se esta foi a causa da morte. Segundo o jornal Le Parisien, o jovem português originário de Bragança partilhava a cela com um outro prisoneiro que teria passado alguns dias antes em Conselho de disciplina e seguiu depois para uma cela de isolamento, onde aliás causou um indêndio e acabou por ser hospitalizado.

A Lusa contactou o Centro penitenciário de Fresnes, mas não conseguiu uma reação.

«Eu quero justiça, saber porque morreu o meu filho e porque me mentiram. Ele acabou por morrer no Hospital de la Pitié-Salpêtrière e ninguém nos avisou para o poder ver com vida. Quero fazer valer os direitos do meu filho, dos meus netos que têm 02, 09 e 12 anos e da minha nora», afirmou.

Em novembro, vários advogados de pessoas detidas na prisão de Fresnes recorreram ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem para denunciar condições de detenção «desumanas e degradantes», de acordo com a agência de notícias France Presse.

Um relatório da Controladora-Geral francesa de locais de privação de liberdade, Adeline Hazan, datado de final de 2016, indicava que Fresnes acolhe mais do dobro de presos do que o previsto e que é frequente «ver mais de 25 pessoas num espaço de 45 metros quadrados».

A 19 de abril, um relatório da Direção da Administração Penitenciária francesa indicava que as prisões francesas têm uma «sobrelotação crónica» ao acolher 70.367 pessoas face a uma capacidade para receber 59.459 e Fresnes apresenta uma taxa de ocupação de 200%.

 

 

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