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Rafael Fonseca, defesa português de 20 anos, chegou há cerca de um ano ao Amiens SC por empréstimo do clube italiano da Juventus.

Na altura o Amiens estava na primeira divisão francesa de futebol, a Ligue 1. No entanto com a suspensão e encerramento definitivo da Ligue 1 versão 2019/2020, a equipa da Picardie acabou por descer à segunda divisão, Ligue 2.

Rafael Fonseca ficou no clube francês, tendo deixado definitivamente a Juventus, clube onde atua o internacional português Cristiano Ronaldo. Queria ganhar experiência numa Liga diferente, ele que foi formado em Portugal e jogou em Itália.

Rafael Fonseca fez um balanço da primeira parte da temporada com o Amiens, abordou os sonhos que tem por realizar, e admitiu que aprendeu muito com Cristiano Ronaldo na equipa de Turim.

 

A classificação atual do Amiens não permite subir de divisão, o principal objetivo da equipa no início da época?

No início começámos um bocadinho mal. Depois tivemos nove jogos sem perder, até perdermos frente ao Paris FC por 4-2, mas o essencial é continuar a trabalhar para vencer os jogos que se seguem.

 

Mas o objetivo continua a ser a subida?

Nós trabalhamos todos os dias para isso. Trabalhamos todas as semanas para isso. Jogo após jogo, entramos dentro das quatro linhas com o objetivo de vencer.

 

Como chegou ao Amiens?

Em Turim, tive a proposta do Amiens. Era um clube que estava na primeira Liga, e que infelizmente devido à Covid-19 desceu para a segunda Liga, mas acho que era um bom projeto para agarrar. Eu ainda sou jovem, preciso de jogar e fez-me bem vir para aqui.

 

É complicado jogar na segunda, quando se assinou por um clube da primeira divisão?

É diferente. Jogar na primeira ou jogar na segunda é diferente, como é óbvio, mas aprendemos sempre com todas as situações. Podemos aprender coisas positivas na segunda Liga como aprender outras coisas na primeira. É bom estar na segunda Liga e tirar proveito desta experiência visto que a Ligue 2 é uma Liga bastante dura.

 

Como tem sido esta temporada a nível pessoal?

A nível pessoal não tenho tido tantas possibilidades de jogar. Mas na cabeça eu tenho sempre o objetivo de trabalhar duro, todos os dias, para quando chegar a minha oportunidade, estar preparado.

 

Qual é o nível desta segunda Liga francesa?

É uma Liga bastante dura, é uma Liga bastante defensiva e é uma boa Liga para evoluir.

 

Como foi a adaptação ao clube, à cidade, à língua…?

A adaptação foi boa, foi rápida. Sou um jogador, uma pessoa, que aprende rapidamente. Eu adapto-me rápido para onde eu vou e onde eu estou. Não houve nenhum problema na adaptação.

 

E a adaptação à cidade?

É uma cidade muito fria (risos), é pequena, eu gosto muito de Amiens, é muito giro.

 

É assim tão diferente de Turim e de Lisboa?

Sim. É uma cidade mais pequena, mais acolhedora, onde os adeptos nos recebem bem. É diferente em vários aspetos com as outras duas cidades, quer nos pontos positivos, quer nos pontos negativos.

 

Podemos comparar as experiências do Rafael em França, em Itália e em Portugal?

Em qualquer sítio onde passamos, temos de aproveitar as coisas boas. Já passei por Portugal, pela Itália, agora estou em França, e tenho de tirar o melhor de cada Liga para ter a experiência e poder jogar em qualquer Liga, pelo menos em qualquer Liga destes três países.

 

Foi formado no Sporting Clube de Portugal…

Foi uma formação bastante boa, é um grande clube, respeito muito e guardo um carinho especial pela formação por onde passei 8 anos. Depois surgiu uma oportunidade de ir para Turim e tive de agarrar essa oportunidade. Neste momento sinto-me um jogador feliz por onde passei, e agora é continuar a minha carreira.

 

Era impossível recusar a Juventus?

Tinha algumas propostas, mas quando se trata desses grandes clubes europeus, nós com o passaporte nas mãos vamos logo.

 

A experiência na Juventus foi boa?

Foi positiva. Joguei durante as três épocas em que lá estive. Simplesmente já estava preparado e pronto para jogar a um nível mais profissional e foi por isso que tomei esta decisão de sair da Juventus.

 

Os Portugueses sentem uma certa pressão quando jogam na Juventus?

Pressão não. Nós temos é apenas de mostrar sempre o nosso trabalho diariamente, e durante os jogos. Mostrar aos adeptos que estamos lá para ajudar o clube, seja no que for.

 

Treinou com Cristiano Ronaldo?

Treinei sim. Ele inspirou-me muito a partir do momento em que o conheci a nível pessoal. A nível profissional é uma pessoa que trabalha muito. Surpreendeu-me bastante. É uma pessoa cinco estrelas e sim, sem dúvida, ele é um ídolo para toda a gente. Quem está dentro da estrutura e o vê diariamente, como ele trabalha, é sem dúvida magnífico. É realmente muito forte. Fez 760 golos, é uma coisa incrível para um jogador com a idade que tem e para ele a idade não é um problema. Ele continua a bater recordes, é uma lenda. Cristiano é uma pessoa carinhosa, trata bem todos os jogadores, seja português, seja italiano, seja francês. Admito que teve um bocadinho mais de atenção comigo porque num país onde não se fala português, encontrou-me a falar a língua do país, então deu-me um pouco mais de atenção e ajudou-me muito dentro da Juventus. É uma pessoa amiga.

 

O Sporting lidera em Portugal, a Juventus tem mais dificuldades em Itália, podem ser Campeões?

O Sporting é um clube para o qual tenho bastante carinho. Sigo o Sporting este ano, e a Juventus também. A tarefa da Juventus está um pouco mais complicada, mas acredito que, quando se tem o melhor jogador do mundo na equipa, as coisas podem mudar rapidamente jogo após jogo. A Juventus tem ainda possibilidades de lutar pelo título.

 

O que podemos desejar ao Rafael para 2021?

Ainda vão ouvir falar muito do Rafael. Que o meu futuro aqui, no Amiens, ou noutras paragens, seja risonho.

 

O sonho é vestir a camisola da Seleção Portuguesa?

Eu tenho uma ambição muito grande em chegar à Seleção Nacional. Acho que todos os jovens ambicionam representar o país. Eu não escapo à regra.

 

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