Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.

No sábado passado teve lugar, no Consulado Geral de Portugal em Paris, a entrega de 12 Bolsas de estudo a estudantes com ligações a Portugal e ao mundo lusófono, numa iniciativa da associação Cap Magellan, e financiada pela Império Assurances.

Praticamente todos os bolseiros estavam presentes, mesmo os de fora da região parisiense, assim como as respetivas famílias e até os professores.

“O objetivo é incentivar os jovens a estimular essa parte mais lusófona, portuguesa, brasileira,… e recompensar os jovens que se dedicam a essa cultura portuguesa de uma maneira ou de outra: ou porque decidiram aprender português, ou porque tiveram excelentes resultados na escola, porque participaram de uma forma ou de outra na divulgação da cultura portuguesa em França” explicou ao LusoJornal Anna Martins, a Presidente da Cap Magellan. “Com esta bolsa, estamos a dar um sinal positivo a estes jovens. É um incentivo aos jovens lusodescendentes e até aos Franceses que decidiram aprender português, para continuarem a fazê-lo. Porque de facto, a aprendizagem do português não é tão reconhecida como isso. Da nossa parte, enquanto associação de lusodescendentes, queremos tentar fazer com que isso continue”.

Também para a Império Assurances, este é um projeto importante. “A Império está em Portugal há 100 anos e em França há cerca de 50 anos. Para nós é uma grande importância estar ao pé da Comunidade portuguesa de França. Crescemos com ela e de uma certa forma temos a vocação de retribuir um pouco deste apoio que a Comunidade nos deu e de fazer com que permaneça esta relação com Portugal e com a língua portuguesa” explicou ao LusoJornal Diogo Teixeira, o novo Diretor Geral Delegado da Império em França. “Entregar estas bolsas de estudo, é retribuir um pouco a esta Comunidade portuguesa que nos acompanha. Queremos que a cultura portuguesa continue a permanecer forte em França, apesar do passar dos anos”.

Os organizadores dizem que tiveram mais de 50 candidaturas e o Júri teve de selecionar os 12 melhores. O Júri era composto por elementos da Cap Magellan, por um representante da Império Assurances, pela Coordenadora do ensino de português em França, Adelaide Cristóvão, e por Anne Dominique Valières, Inspetora geral de português no Ministério francês da Educação.

“O critério principal é o mérito” garante Diogo Teixeira. “As condições eram que tivessem um BAC com a menção Bom ou Muito Bom. Tinham de ser pois bons alunos” garante por seu lado Adelaide Cristóvão.

“Pode ser o mérito escolar, mas também pode ser um mérito social” acrescenta Diogo Teixeira. “Tentamos ajudar os que necessitam mais desta bolsa para continuar estes estudos. Os estudos superiores custam caro, é necessário muitas vezes sair de casa, ir para outra cidade, e portanto muitos destes estudantes vão ter de trabalhar, mas nós tentamos ajudá-los um pouco, para que continuem a crescer, e a se desenvolver”.

Outro critério é o da ligação a Portugal e à lusofonia. “Por exemplo participar numa associação” explica Anna Martins.

“Importante foi também o percurso desses alunos e o facto de se interessarem pelo português. Havia candidatos franceses que começaram a aprender português no Liceu, no Colège e até na Primária. Também tínhamos uma preocupação para que as várias áreas fossem contempladas, quer a científica, quer a literária, há mesmo um excelente aluno que fez um percurso num Bac Profissional e agora está num BTS. A representação de todos os percursos escolares era importante também”. Adelaide Cristóvão fazia referência a Miguel Ângelo Pinheiro, de Suresnes (92), que estuda em BTS “Support à l’action managériale” no Lycée Joliot Curie de Nanterre.

O facto de as candidaturas virem a crescer de ano para ano é importante para a Presidente da Cap Magellan. Anna Martins diz que “isso também é um sinal de que há interesse pela cultura portuguesa e pela cultura lusófona em geral, da parte dos portugueses, como por parte dos franceses”. Adelaide Cristóvão, a Coordenadora de ensino lembrou também ao LusoJornal que “a carta de motivação foi um elemento importante para o júri. Porque os candidatos apresentaram-se através de uma carta de motivação e por isso a motivação é um aspeto importante”.

Maëva Capela, de Vitry-sur-Seine (94), estuda cultura inglesa e da América do norte na Sorbonne; Eva Crespo, de Versailles (78), estuda Direito em Paris I-Panthéon Sorbonne; Mariana Figueiredo, de Le Bourget (93), estuda ciências e técnicas de atividades físicas e desportivas na Universidade de Paris-Descartes; Lauryne Moura, de Vernouillet (78), estuda Gestão na Ecole de Management da Universidade Panthéon-Sorbonne; Daniela Ribeiro Claro, de Clamart (92), é estudante de Direito en «Classe préparatoire» no Lycée Marie Curie de Sceaux e Victor Soares, de Les Pavillons-sous-Bois (93), estuda Línguas, Literaturas e Civilizações estrangeiras na Sorbonne-Nouvelle Paris 3.

Valentina Reis Pereira, de Chambourcy (78), foi representada pela mãe, mas fez uma curta intervenção por telefone desde Portugal, porque está atualmente a estudar no primeiro ano de Medicina na Universidade do Minho.

Da Universidade de Rennes vieram Théo Francez, estudante Ciências da matéria e Maëlys Lagarde, estudante em Inglês-Português.

Lucile Le Bas-Carlez é de Grenoble, mas estuda engenharia no Instituto Nacional das Ciências Aplicadas de Rennes. “Comecei a estudar português quando tinha apenas 7 anos de idade” explica ao LusoJornal. “A minha mãe, é francesa, mas viu que na minha escola primária eu podia ter cursos de português, depois das aulas normais, e comecei assim e continuei”. Estudou na Escola internacional de Grenoble e sonha um dia trabalhar com Portugal “ou então com o Brasil, outro grande país lusófono”.

Vincent Etomba-Vialette, é de Mérignac, e integrou a fileira França-Portugal de Sciences Po Bordeaux. “A minha professora de português incentivou a minha participação neste concurso, porque achou que correspondia bem ao meu perfil” contou em conversa com o LusoJornal. “Eu comecei a interessar-me pela lusofonia desde pequenino, quando descobri a Capoeira, e depois continuei e criei alguns laços importantes com Portugal e com a lusofonia”. Os pais de Vincent não são portugueses, nem têm qualquer outra ligação com a lusofonia, mas o jovem estudante diz que a bolsa “vai ajudar a financiar o meu ano de mobilidade em Coimbra, porque o meu curso é feito em alternância, entre Bordeaux e a Faculdade de economia da Universidade de Coimbra”.

Cada jovem levou para casa um cheque de 1.600 euros e um convite para assistir a um espetáculo de José Cruz. O humorista esteve no Consulado de Portugal e falou com os jovens, contando-lhe algumas fases do seu percurso artístico.

Diogo Teixeira da Império garantiu ao LusoJornal que “este é um projeto muito importante que está o topo das nossas prioridades. Continuamos a acreditar que temos de estar ao lado da Comunidade portuguesa, temos de a apoiar, para crescer e manter-se viva em França. É um projeto para continuar ainda por muitos anos”.

As “honras da casa” foram feitas pelo Cônsul Geral Adjunto João de Mello Alvim e pelo Adido Social do Consulado Geral de Portugal, Joaquim do Rosário.

 

Gostou deste artigo? Vote, participe!
Votação do Leitor 8 Votos
7.2
X