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No próximo domingo, dia 13 de outubro, por ocasião dos 700 anos da Cavalaria da Ordem de Cristo e das aparições marianas de Fátima, em Portugal, e de Akita, no Japão, a Igreja de Sainte Thérèse de Joncherolles, em Pierrefitte (93) vai organizar uma procissão religiosa (às 10h00) da imagem de Nossa Senhora de Fátima, acompanhada com cavalos lusitanos. E às 14h00 o universitário Carlos Henriques Pereira vai proferir uma conferência sobre «700 ans de la Chevalerie de l’Ordre du Christ au Portugal». Carlos Henriques Pereira é Mestre de conferências na Sorbonne Nouvelle Université Paris III e explicou ao LusoJornal qual a relação entre estes três assuntos.

 

Porque se interessa por este tema?

Este projeto foi realizado em colaboração com Jean-Baptiste Navarro, um padre espanhol que gosta muito de Portugal e temos vindo a falar das Ordens de Cavalaria e da simbologia do cavalo na Bíblia. Comemoramos os 700 anos da Ordem de Cristo, cujo Grão-mestre é o Presidente da República portuguesa. Essa Ordem foi criada em 1319 pelo Rei D. Dinis. Primeiro havia a Ordem dos Templários, cujo Grão-mestre foi condenado em Paris em 1312. Portugal teve de reabilitar de maneira diferente a Ordem dos Templários e então criou a Ordem de Cristo. É uma Ordem reconhecida através da sua cruz, a mesma que está nas caravelas portuguesas que foram para os Descobrimentos. Na verdade, o Infante D. Henrique – que é o irmão do Rei D. Duarte – no século 15, passa a ser o Protetor da Cavalaria da Ordem de Cristo e é essa Ordem que vai patrocinar, de certa forma, os Descobrimentos e a navegação portuguesa. É pois uma Ordem que está no processo da expansão portuguesa. Essa Ordem foi evoluindo e no século 20 foi considerada como uma Ordem simbólica. A partir de 1910, com a implantação da República, a Ordem perdeu expressão, mas em 1917 reabilitaram-na e passou a ser com a Ordem de Cristo que se prestou homenagem aos soldados de I Guerra Mundial.

 

E qual é a relação com os cavalos?

Eu não sou um especialista da Ordem, mas sou um especialista das Cavalarias sagradas. Estudei muito o livro do Rei D. Duarte, que é um Tratado de equitação dedicado à Ordem de Cavalaria. A Cavalaria da Ordem de Cristo é interessante porque tem as duas palavras: cavalo e Cristo. E poucas pessoas sabem que o Cristo aparece num cavalo branco no Apocalipse de S. João – o último livro do Novo Testamento -, associado a quatro cavalos. Na realidade há 4 cavalos do Apocalipse e o quinto é Cristo sobre um cavalo branco. O que é muito curioso é que o Apocalipse de S. João está muito associado à Jerusalém Celeste que é uma espécie de nova cidade espiritual. O que é curioso também é que Portugal inventou o Quinto Império, que, de uma certa forma, é a Jerusalém Celeste. E quem está associado ao Quinto Império é o D. Sebastião que virá com um cavalo branco… Ou seja, é o mesmo arquétipo e isto é muito curioso. Eu fiz todo um trabalho sobre a simbologia do Messias a cavalo.

 

E como é que este assunto se liga às Aparições Fátima e de Akita?

No dia 13 de outubro de 1917, conforme a história das Aparições em Fátima, é a última mensagem e tem uma dimensão de apocalipse. Nesse dia, há 20 mil pessoas que vão tentar perceber uma espécie de milagre. Um jornal apontou, por exemplo, o sol começou a dançar. Ou seja, Fátima aparece no Apocalipse de S. João. Portanto, Fátima, o Cristo a cavalo, Apocalipse,… é sempre o mesmo universo. Ora, eu trabalho com o Japão – tenho um trabalho na área da equinologia – e comecei a interessar-me sobre a presença cristã no Japão. Foram os Jesuítas portugueses que introduziram a religião cristã no Japão. Eu descobri que há uma aldeia, Akita, no Japão, onde uma Irmã Japonesa obteve uma aparição, precisamente no 13 de outubro de 1973, e curiosamente o Papa Bento 16 considera que o conteúdo é equivalente ao conteúdo do 13 de outubro em Fátima. Portanto há uma ligação entre Fátima e Akita, com data idêntica, conteúdo idêntico, ligado ao Apocalipse de S João.

 

Em que sentido a Aparição de Akita está ligada ao Apocalipse de S. João?

Porque a mensagem de Akita é também uma mensagem apocalíptica e, comparando com Fátima, onde se fala do sol a dançar, aqui também se fala de uma bola de fogo. Há pois uma simbologia que é equivalente e esta simbologia aparece também no Apocalipse de S. João. Em todas as religiões há uma noção de apocalipse. O apocalipse é considerado como uma visão mística e uma revelação. São estruturas do imaginário que o próprio espiritual tem de descodificar e não podemos levar isso ao primeiro grau, tem de haver uma análise de segundo grau, não é uma análise racionalista, mas sim uma visão mística. Eu quis associar estas três datas.

 

E porque razão se realiza em Pierrefitte?

Porque o meu amigo Jean-Baptista Navarro é padre em Pierrefitte. Quando eu estudei os manuscritos da arte equestre portuguesa, que estão todos associados à Bíblia porque Portugal é um país cristão, eu necessitava de algumas luzes sobre a relação entre a Bíblia e o imaginário português, a relação com o Quinto Império e conversei muito com ele sobre este assunto. Foi ele que escolheu a data de 13 de outubro. E eu penso que é a única igreja na Europa que associa três datas altamente simbólicas e que vai associar também a simbologia do Cristo a cavalo.

A partir das 15h00 haverá demonstrações com os cavalos lusitanos do Institut du cheval et de l’équitation portugaise, e um concerto com a fadista Conceição Guadalupe e os seus guitarristas.

Entrada 10 euros

 

Église de Sainte Thérèse de Joncherolles

21 rue Nungesser et Coli

93380 Pierrefitte-sur-Seine

Infos: 01.48.26.23.57

 

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