O verão é a época em que o cabelo sofre mais. Médico especialista alerta para os erros que podem acelerar a queda capilar.
Com o verão aumentam os dias de praia, piscina e exposição ao sol. No entanto, aquilo que representa um período de descanso para muitas pessoas pode traduzir-se numa das épocas mais agressivas do ano para a saúde capilar.
A radiação ultravioleta (UV), a água do mar, o cloro das piscinas, as temperaturas elevadas e a maior frequência de lavagens contribuem para fragilizar a fibra capilar e comprometer o equilíbrio do couro cabeludo. O resultado pode ser um cabelo mais seco, quebradiço, sem brilho e, em alguns casos, uma perceção de aumento da queda capilar.
Embora o verão não seja, por si só, responsável pela queda de cabelo de origem genética, a exposição contínua aos agentes externos pode agravar problemas já existentes e acelerar o enfraquecimento dos fios.
O sol também envelhece o cabelo
Tal como acontece com a pele, o cabelo sofre os efeitos da radiação ultravioleta. A exposição prolongada degrada proteínas estruturais como a queratina, reduz a hidratação natural e promove a oxidação dos pigmentos responsáveis pela cor do cabelo.
No couro cabeludo, a exposição solar excessiva pode provocar queimaduras, inflamação e alterações da barreira cutânea, sobretudo em pessoas com cabelo fino, rarefeito ou zonas de menor densidade capilar.
Além disso, a água salgada e o cloro removem parte da camada lipídica protetora do fio, tornando-o mais vulnerável à quebra e à desidratação.
Queda de cabelo no verão
Existe a perceção de que o cabelo cai mais durante o verão. Contudo, a evidência científica aponta para um fenómeno diferente.
Diversos estudos demonstram que muitas pessoas registam um aumento da queda capilar no final do verão e início do outono, consequência do ciclo natural do cabelo e da maior proporção de fios de cabelo que entram na fase de queda (fase telógena) após os meses de maior exposição solar.
Importa distinguir esta queda sazonal, normalmente temporária, da alopécia androgenética ou de outras patologias capilares que requerem avaliação médica.
Se a perda de cabelo for intensa, persistir durante várias semanas ou estiver associada à diminuição da densidade capilar, deverá ser realizada uma avaliação clínica especializada.
Cinco cuidados essenciais para proteger o cabelo durante o verão
– Utilizar proteção solar específica para cabelo e couro cabeludo durante exposições prolongadas ao sol;
– Usar chapéus ou bonés em períodos de maior intensidade da radiação UV;
– Lavar o cabelo com água doce após cada banho de mar ou piscina;
– Apostar em máscaras e produtos hidratantes para recuperar a fibra capilar;
– Evitar ferramentas de calor (secadores, placas e modeladores) sempre que possível durante esta época.
Queimaduras no couro cabeludo: um problema frequentemente ignorado
As queimaduras solares no couro cabeludo continuam a ser uma situação frequente durante os meses de verão, sobretudo em pessoas com cabelo fino, entradas pronunciadas ou zonas de menor cobertura capilar.
Os sintomas mais comuns incluem vermelhidão, dor, sensação de queimadura, descamação e aumento da sensibilidade local.
Nestes casos, recomenda-se evitar nova exposição solar até à recuperação total da pele afetada, utilizar produtos calmantes adequados e procurar aconselhamento médico sempre que haja sinais de infeção, bolhas extensas ou sintomas persistentes.
Quando procurar ajuda médica
Nem toda a queda de cabelo após o verão é motivo de preocupação. Contudo, existem sinais que justificam uma avaliação especializada:
– Queda intensa durante mais de dois a três meses;
– Redução visível da densidade capilar;
– Surgimento de zonas de rarefação ou placas sem cabelo;
– Comichão persistente, dor ou inflamação do couro cabeludo;
– Histórico familiar de alopécia.
O verão representa um período de maior agressão para o cabelo e para o couro cabeludo. A prevenção continua a ser a melhor estratégia para preservar a saúde capilar e identificar precocemente situações que possam necessitar de tratamento médico.
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Dr. Carlos Portinha
Médico
Diretor clínico do grupo Insparya






