Faleceu Isabelle Bloncourt Repiton, viúva do fotógrafo Gérald Bloncourt

Isabelle Bloncourt Repiton, a viúva de Gérald Bloncourt, faleceu esta semana no Tarn (81), onde se encontrava, na sequência de um trágico acidente ocorrido durante uma caminhada. A cerimónia fúnebre vai ter lugar esta sexta-feira.

Segundo a informação transmitida pela família, Isabelle Bloncourt Repiton caiu num precipício enquanto realizava uma caminhada; o seu corpo só foi localizado no dia seguinte por um helicóptero de socorro. A notícia gerou grande consternação entre aqueles que, direta ou indiretamente, conheceram o trabalho e o legado do seu marido, o célebre fotógrafo Gérald Bloncourt, cuja obra marcou de forma indelével a história da emigração portuguesa.

Jornalista independente, depois de ter trabalhado no La Tribune e no L’Echo, Isabelle Bloncourt foi, durante décadas, uma presença constante ao lado de Gérald Bloncourt, acompanhando o seu percurso artístico e humano. O fotógrafo, falecido em 2018, tornou-se uma referência incontornável ao documentar, a partir dos anos 1960, a chegada dos portugueses a França. As suas imagens dos bairros de lata de Champigny-sur-Marne, dos trabalhadores portugueses nas grandes obras e das vidas difíceis dos recém-chegados tornaram-se testemunhos essenciais da história da diáspora. Isabelle Bloncourt esteve sempre presente nesse universo, apoiando o trabalho de Gérald Bloncourt e mantendo viva a ligação à Comunidade portuguesa, que reconhece no casal Bloncourt uma parte da sua própria memória.

A morte de Isabelle Bloncourt representa, para muitos, o desaparecimento de uma guardiã silenciosa desse património afetivo e histórico. Amigos próximos recordam a sua discrição, a sua gentileza e a forma dedicada como preservava o legado do marido, mantendo contacto com associações, investigadores, jornalistas e membros da Comunidade portuguesa que continuavam a procurar nas fotografias de Gérald Bloncourt um espelho das suas origens.

Depois da morte do marido e de ter perdido o emprego, Isabelle Bloncourt atravessava este mês uma nova fase difícil, já que estava eminente a ordem de expulsão do apartamento onde viveu durante mais de 30 anos com o marido, no 11° bairro de Paris, e procurava novo apartamento.

O apartamento onde vivia foi reconvertido em HLM e os rendimentos de Isabelle Bloncourt ultrapassavam agora o limite para ocupar um apartamento social. Isabelle Bloncourt acolhia a filha, o genro e os dois netos, e, apesar do recurso apresentado contra a RIVP, sabia que ia ser expulsa a qualquer momento.

As cerimónias fúnebres de Isabelle Bloncourt Repiton terão lugar na sexta-feira, dia 28 de agosto, às 15h00, em Braslou (37), onde familiares, amigos e todos aqueles que desejem prestar homenagem poderão despedir-se de Isabelle Bloncourt.

As filhas, Morgane e Ludmilla, prometem organizar uma cerimónia em Paris, para evocar a memória de Isabelle Bloncourt Repiton.

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