A Igreja de S. Vicente, em Évora, recebe desde hoje uma exposição de pintura da artista alentejana Jerónima, natural de Beja e radicada em França há 52 anos, onde vive atualmente em Chartres, cidade com a qual Évora mantém uma relação de cooperação e intercâmbio cultural. A mostra, que pode ser visitada até 24 de setembro, foi anunciada pela Câmara Municipal de Évora e integra-se no programa de dinamização cultural associado à geminação entre as duas localidades.
Nascida a 15 de fevereiro de 1956, Jerónima deixou o Alentejo ainda adolescente e fixou-se em Chartres, onde desenvolveu grande parte do seu percurso artístico. A sua ligação às artes começou cedo: aos 16 anos criava as suas próprias roupas, num processo marcado pela experimentação manual e pela procura de identidade estética. Mais tarde encontrou na “emolduração artística” uma vocação que a levou a ministrar cursos desde 2005, aprofundando técnicas e abordagens que viriam a influenciar a sua prática pictórica. A pintura tornou-se central na sua vida a partir de 2000, ano em que iniciou um trabalho contínuo que hoje soma mais de duas décadas de evolução.
A autarquia eborense descreve a pintura de Jerónima como uma expressão marcada pela cor, pela espontaneidade e pela intensidade emocional. A artista não parte de um tema definido: deixa que a matéria, os acidentes da superfície e as emoções conduzam o gesto, criando obras onde as formas e nuances surgem de modo livre, quase intuitivo. O resultado é um universo informal, vibrante, onde o imaginário se move ao sabor dos seus desejos e onde a pintura funciona sobretudo como expressão interior, mais do que como representação figurativa ou narrativa.
A exposição agora apresentada na Igreja de S. Vicente reúne um conjunto de telas que ilustram esta trajetória, revelando a evolução da artista ao longo de 26 anos de criação.
A mostra inclui também um momento musical com o grupo “Cantes do Vagar”, reforçando o diálogo entre diferentes expressões culturais e sublinhando a dimensão comunitária do evento. Para Évora, a presença de Jerónima representa uma oportunidade de valorizar a ligação histórica e afetiva entre o Alentejo e Chartres, destacando o papel da diáspora portuguesa na construção de pontes culturais além-fronteiras.
Figura representativa dessa ligação, Jerónima afirma-se hoje como uma artista autodidata profundamente ligada à cor, à emoção e à espontaneidade, cuja obra tem vindo a ganhar visibilidade tanto em França como em Portugal. A exposição em Évora oferece ao público uma aproximação ao seu universo criativo e ao percurso de uma autora que transformou a experiência migratória numa linguagem artística singular.







