
A pequena aldeia de Lagor (64), nos Pirenéus-Atlânticos, vive dias de choque e consternação após o assassínio de Avelino, de 85 anos, e Alcina, de 82, um casal português muito conhecido na região. O crime ocorreu na terça‑feira, 22 de setembro, no jardim da casa onde viviam há vários anos, e o principal suspeito é o vizinho direto, também ele português, um homem de 90 anos agora detido e colocado em prisão preventiva.
Segundo a investigação, o drama terá sido o culminar de um conflito de vizinhança que se arrastava há décadas. As duas famílias mantinham desentendimentos antigos, alimentados por motivos considerados fúteis – queixas relativas a um muro misto, problemas de escoamento de água e outras tensões que, ao longo dos anos, nunca encontraram solução. Por vezes um simples carro mal estacionado em frente de uma porta podia dar lugar a mais uma discussão. O próprio Maire de Lagor tentou mediar a situação em várias ocasiões, mas sem sucesso. “Nunca esperei que o resultado fosse este” disse aos jornalistas.
Na noite do crime, o nonagenário terá relatado à Gendarmerie que se envolveu numa altercação com Avelino, durante a qual afirma ter sido atingido duas vezes na cabeça. De acordo com os primeiros elementos recolhidos, regressou então a casa, pegou numa espingarda de caça e voltou ao exterior, disparando duas vezes sobre o vizinho. Depois de recarregar a arma, alvejou Alcina, que se encontrava no jardim.
Os vizinhos alertados pelas detonações chamaram imediatamente as autoridades. O suspeito foi detido pouco depois, no seu domicílio, sem oferecer resistência.
O Ministério Público de Pau abriu uma informação judicial por homicídio e o homem de 90 anos foi apresentado a um juiz de instrução, colocado sob acusação formal e enviado para detenção provisória. A violência do caso abalou profundamente a comunidade local. As festividades do fim de semana, que estavam previstas para animar a aldeia, foram canceladas pela autarquia em sinal de luto. Em paralelo, está a ser preparada uma missa em memória de Alcina e Avelino, a realizar-se este sábado ao final do dia, reunindo habitantes, amigos e membros da Comunidade portuguesa da região.
O casal, descrito como “discreto, cordial e muito apreciado”, deixa uma marca de proximidade e afeto entre os habitantes de Lagor. “Participava nos eventos da terra” confirma o Maire. A aldeia, habituada à tranquilidade, tenta agora compreender como um conflito de vizinhança, aparentemente banal, pôde degenerar num dos crimes mais trágicos da sua história recente. O português suspeito de ter assassinado os vizinhos é, por seu lado, considerado “com caráter difícil” e casado com uma mulher também ela “agressiva”.






