Comunidade portuguesa católica de Lyon não acompanhou a visita do Papa a França

A Comunidade católica portuguesa da região de Lyon parece não ter mostrado grande interesse pela visita apostólica do Papa Leão XIV a França, entre os dias 25 e 28 de setembro.

“A Comunidade portuguesa que emigrou nos anos 60 para Paris, Lyon, e outras cidades de França, nem tiveram um verdadeiro acompanhamento por parte da igreja católica francesa, nem da igreja portuguesa, nomeadamente a nível da religião e da espiritualidade. Vem daí um desinteresse pela Comunidade de viver a fé como em Portugal. Isto nasceu logo desde os primeiros anos” disse ao LusoJornal António, membro da Pastoral Portuguesa em Lyon. “Hoje, nas assembleias para as celebrações eucarísticas em português, ou até nos sacramentos, são muito poucos, cerca de cinquenta pessoas, e até menos, estão ainda presentes. O que põe em evidência este desinteresse da vinda do Papa a França”.

A situação espiritual da Comunidade portuguesa que imigrou nestas últimas décadas é diferente. Chegou com outros objetivos, como o de mudar de vida material, ter mais conforto, riqueza e preocupou-se mais em aumentar também o poder de compra do que o crescer na fé.

Certas tradições, como a veneração e a fé da Virgem Maria Nossa Senhora de Fátima vão ainda mantendo presença, graças às festas tradicionais, onde se integram estas manifestações Marianas.

O Padre Jean Cazeau, Capelão na Basílica de Fourvière, em Lyon, considera que “hoje notamos que desde há cerca de três anos, a população da Diocese ganhou interesse pela espiritualidade cristã, notamos também que esta vaga se encontra em várias Comunidades, entre elas a Portuguesa, que nós acolhemos duas vezes por ano para a veneração da Virgem Maria, com procissão e a Eucaristia”.

No dia 11 de outubro vai ter lugar, precisamente uma dessas peregrinações em Lyon.

“Quanto à vinda do Papa, não penso que levou a Comunidade a se mobilizar e ir ao seu encontro” contou ao LusoJornal o Padre Jean Cazeau.

“Eu sou católica e sou portuguesa, mas gostaria sim, de estar e viver uma visita do Papa em Fátima, em Portugal. Vi na televisão o seu percurso e as suas declarações, mas não foi tudo que eu entendi. Hoje, sou sincera, vivo muito pouco as celebrações em francês. Não é só a língua que não me atira, mas também o modo como a Comunidade francesa vive a espiritualidade. Vemos situações e ouvimos também declarações que vão ao encontro da nossa cultura religiosa. Entao prefiro ir à Igreja sozinha, fazer as minhas rezas e é tudo”.

Ao visionarmos as imagens das cerimónias e dos contactos com a população, em poucas ou nenhumas ocasiões apareceram bandeiras portuguesas entre a multidão. Talvez poucos presencialmente, mas em frente aos seus televisores, a Comunidade portuguesa também participou na visita do Santo Papa a França.

“Eu gostei muito de ver o Papa. Estive nos Champs Elysées, assisti à Missa e fiquei contente com a organização” contou, por seu lado, Artur Pereira, membro da Comunidade portuguesa residente em Lyon. “Houve alguns momentos de grande emoção. Agora peço e desejo que, mais ano, menos ano, ele vá a Portugal. E aí, então, eu estarei presente todos os dias e em todas as cerimónias, se Deus quiser e me ajudar. Pois não é sempre possível ver presencialmente o representante de Deus sobre a terra e ouvir as suas palavras evangélicas.

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