Saúde: Sinais de que as suas hormonas precisam de atenção redobrada


As hormonas são potentes mensageiros químicos que regulam grande parte das funções do nosso organismo: o metabolismo, o crescimento, o sono, o apetite, o humor, a fertilidade e até a forma como reagimos ao stress. Quando algo não corre bem, ou quando não nos adaptamos eficazmente, o corpo pode dar sinais deste desajuste. O problema é que muitos destes sinais são discretos, inespecíficos e facilmente atribuídos a outras razões do dia a dia.

Vejamos alguns dos sinais e sintomas que mais frequentemente levam a uma investigação hormonal. Um cansaço persistente, que não melhora com períodos adequados de descanso, é um dos mais comuns. O mesmo acontece com alterações de peso abruptas e sem explicação, tanto no sentido do aumento como da diminuição, sobretudo quando não houve mudanças relevantes na alimentação ou na atividade física ou quando surgem acompanhadas de sede intensa e necessidade de urinar com frequência.

Também merecem atenção a sensação frequente e desproporcionada de frio ou de calor e o aparecimento de suores, palpitações ou tremores. A pele muito seca, a queda de cabelo acentuada e as unhas frágeis completam a lista de sinais que tantas vezes desvalorizamos.

Nas mulheres, o ciclo menstrual funciona como um verdadeiro sinal vital. Ciclos irregulares ou ausência de menstruação, acne persistente na idade adulta ou o aparecimento de pelos na face e no corpo em zonas tipicamente masculinas merecem investigação.

Nos homens, a diminuição do desejo sexual, as dificuldades de ereção e a perda de massa muscular podem ser originadas por défices hormonais. Em ambos, alterações do humor, ansiedade, tristeza ou dificuldade de concentração sem causa aparente, bem como um inchaço ou nódulo na parte da frente do pescoço, não devem ser ignorados.

Isoladamente, nenhum destes sinais e sintomas significa doença. Mas, quando persistem ou se combinam, justificam uma consulta médica e, sempre que necessário, uma avaliação especializada em Endocrinologia. É importante ainda relembrar que há períodos da vida em que esta atenção deve ser redobrada, como na gravidez, no pós-parto e na menopausa e também naqueles que têm familiares próximos com doenças endócrinas.

O primeiro conselho é não se autodiagnosticar. Vivemos numa era em que a informação, muitas vezes errada, abunda na internet e nas redes sociais, com promessas de “planos para equilibrar as hormonas” sem qualquer base científica. O diagnóstico faz-se em consulta, com uma história clínica completa e, quando necessário, com análises e exames de imagem adequados a cada caso.

Desconfie também de suplementos “milagrosos” que prometem acelerar o metabolismo, “limpar as hormonas” ou “restaurar a saúde hormonal”. Além de não cumprirem o prometido, podem interferir com a medicação habitual e com os resultados das análises.

Ao mesmo tempo, vale a pena cuidar da base: dormir bem, ter uma alimentação variada, praticar exercício físico e gerir o stress têm impacto direto na saúde hormonal. Não substituem o tratamento quando existe doença, mas fazem parte do plano terapêutico, da prevenção à recuperação.

A boa notícia é que a maioria das doenças hormonais tem tratamento eficaz, orientado por um médico especialista. Quanto mais cedo forem identificadas, mais simples é o seu controlo, permitindo recuperar a qualidade de vida e diminuir o risco de complicações.

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Dra. Adriana de Sousa Lages

Médica especialista em Endocrinologia e Nutrição

Dirigente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo

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