Municipais’26: Três gerações de portugueses candidatos nas eleições autárquicas em França


Três gerações de portugueses concorrem às eleições autárquicas francesas, que têm a primeira volta no domingo, com estes candidatos a poderem atingir os 35.000, segundo o Presidente da Cívica, a Associação dos autarcas franceses de origem portuguesa.

Paulo Marques, que preside a esta organização e é Maire-Adjoint de Aulnay-sous-Bois, autarquia a que se recandidata, disse à Lusa que, eleição após eleição, se regista uma cada vez maior participação de candidatos portugueses ou luso-franceses.

O número de portugueses e luso-franceses candidatos, que em 2020 foi de 34.000, poderá atingir os 35.000, e envolve portugueses de três gerações, disse. “Temos os portugueses sem nacionalidade francesa, que concorrem e vão ser eleitos para o Conselho municipal; depois, os portugueses que já são franceses e que nasceram na geração de 70, 80 do século passado; e, depois, essa camada jovem de franceses com origem portuguesa, que têm 18, 20, 25 anos, que também concorrem, muitos deles pela primeira vez”, adiantou.

Para o aumento da participação dos portugueses na vida eleitoral francesa contribuiu, segundo o Presidente da Cívica, o facto de, em 2001, os portugueses residentes em França passarem a poder votar nas eleições autárquicas e regionais francesas e também serem elegíveis para os cargos.

Segundo Paulo Marques, em França existe a maior representação lusa fora de Portugal, com reflexos nos números de candidatos e de eleitos.

Para o mandato de 2020-2026 foram eleitos quase 8.000 candidatos portugueses ou luso-franceses e as eleições de domingo deverão aumentar muito este número, tendo em conta os candidatos que “não param de aumentar”.

“É a maior representação lusa democrática fora do país”, afirmou.

E adiantou que, em 2020, foram mais de 34.000 os autarcas portugueses ou luso-franceses candidatos, o que representou “um marco significativo”.

Nesse ano, os jovens franceses com origens portuguesas passaram a estar automaticamente inscritos como eleitores, podendo igualmente ser candidatos, e o resultado foi a eleição de cerca de 8.000 autarcas com origens portuguesas, o dobro do resultado em 2014 (perto de 4.000 eleitos).

Paulo Marques sublinhou que, para estas eleições autárquicas, com a primeira volta no próximo domingo e a segunda a 22 de março, existem muitos portugueses com fortes possibilidades de atingirem lugares como a de Maires ou Maires-Adjoints, revelando “um nível de executivo potencial”.

Apesar de ainda não existir um número apurado de autarcas portugueses ou de origem portuguesa candidatos neste sufrágio, Paulo Marques diz que esse número já atingiu os 15.000 e que é expectável que chegue aos 35.000.

“Nós esperamos conseguir atingir perto dos 35.000 candidatos. Depois, haverá os que ganham e os que perdem”, afirmou.

Para Paulo Marques, “o que é interessante é ver o número consequente de jovens franceses, de origem portuguesa, já de terceira geração de portugueses residentes em França, e da segunda geração de franceses com origem portuguesa, a serem candidatos”.

O autarca, que em 1989 se candidatou, com 19 anos, à autarquia de Aulnay-sous-Bois, acredita que esta eleição vai ser “muito participativa” pelas várias gerações de portugueses e luso-franceses.

Sobre a marca que estes políticos de origem portuguesa deixam nas suas funções públicas, Paulo Marques, vice-Presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), identifica “uma visão alargada” que muito provavelmente “teve origem no conhecimento das suas raízes portuguesas”.

“Há essa vertente de um maior conhecimento internacional, nomeadamente através das suas raízes, do conhecimento da terra dos seus pais, do conhecimento de um Portugal moderno, do conhecimento também dos seus valores”, prosseguiu.

Mais de 500 mil candidatos concorrem a estas eleições autárquicas em França, nomeadamente a lugares nas 34.800 autarquias.

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