“Musicorama”: Concerto na Embaixada de Portugal celebrou compositoras inspiradas e criação contemporânea


A Embaixada de Portugal em Paris acolheu, no passado dia 16 de março, mais um concerto da temporada “Musicorama 2025/26”, organizada pelo Adido Cultural Jorge Barreto Xavier, Diretor do Instituto Camões na capital francesa. A noite foi dedicada ao universo das compositoras, cruzando obras históricas, repertório do século XX e XXI e uma estreia absoluta encomendada para a ocasião.

Este foi o oitavo de uma programação de 10 concertos, cuja direção artística está a cargo do pianista Bruno Belthoise, com o mecenato da empresa TBS – Technologies du Bâtiment & Services. A abertura esteve a cargo do Embaixador de Portugal Francisco Ribeiro de Menezes e na sala estava, para além do pianista João Costa Ferreira, o antigo Embaixador de Portugal em França, Jorge Torres Pereira, entre uma sala cheia.

Sob o título “Compositrices inspirées”, o concerto reuniu quatro intérpretes com percursos sólidos na cena musical francesa e internacional: Violaine Dufès (hautbois), Yves Charpentier (flauta), Léo Belthoise (violino) e Bruno Belthoise (piano). O programa foi construído em torno de compositoras que estes músicos têm vindo a defender e a divulgar ao longo dos últimos anos – Mel Bonis, Michèle Reverdy e Armande de Polignac – e culminou com a estreia mundial de “Deconstruction”, obra da jovem compositora luso-espanhola Inés Badalo, escrita a partir de motivos de Bach.

Um programa que atravessa épocas e linguagens

A abertura fez-se com a Sonate nº 1 para violino e piano (1902) de Armande de Polignac, figura singular da música francesa do início do século XX. Seguiram-se os Six Préludes pour piano (1900), revelando o universo intimista e refinado da compositora.

A música contemporânea marcou presença com “Tropes” (2022), solo para hautbois de Michèle Reverdy, obra que explora a respiração, a cor e a fisicalidade do instrumento.

O romantismo tardio de Mel Bonis surgiu na Sonate para flauta e piano op. 64, peça de grande lirismo e virtuosismo, que permitiu ao público reencontrar uma compositora cuja obra tem sido crescentemente redescoberta.

O concerto encerrou com a estreia absoluta de “Deconstruction” (2022), de Inés Badalo, escrita para flauta, hautbois (e heckelphone), violino e piano. A obra revisita três sonatas atribuídas a Bach (BWV 1020, 1031 e 1033), desconstruindo-as e reconfigurando-as numa linguagem contemporânea, num diálogo entre tradição e experimentação.

De referir que Inés Badalo nasceu em Olivença e tem a dupla nacionalidade, portuguesa e espanhola.

Intérpretes com percursos internacionais

A noite destacou também a diversidade artística dos intérpretes.

Yves Charpentier, flautista e fundador do quinteto Le Concert Impromptu, é conhecido pela sua abordagem transdisciplinar, cruzando música, teatro e dança, e pela colaboração com compositores contemporâneos. Violaine Dufès, oboísta premiada e diretora artística do Concert Impromptu, conjuga carreira instrumental com formação em dança, participando regularmente em projetos internacionais.

Léo Belthoise, filho de Bruno Belthoise, violinista particularmente ativo na música contemporânea, integra vários ensembles europeus e desenvolve projetos imersivos através da companhia Liquid Season. O seu primeiro disco a solo, dedicado a Manon Lepauvre e Toshio Hosokawa, foi distinguido pela France Musique. Bruno Belthoise, pianista e improvisador, tem uma discografia de 30 CDs e é reconhecido pela divulgação da música portuguesa, pela criação de concertos narrativos para o jovem público e pela direção da coleção pedagógica Répertoire pour pianistes (AVA Musical Editions).

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

Não perca