
A 21ª edição da já tradicional Feira de Nanterre, voltou a transformar o Espace Chevreul numa mostra de produtos portugueses. Durante o fim de semana passado, milhares de visitantes – portugueses, lusodescendentes e muitos franceses – circularam entre bancas de queijos, vinhos, enchidos, doçaria e artesanato, num ambiente onde a saudade se misturou com a descoberta e onde o território português se apresenta em força.
O Ministro da Agricultura José Manuel Fernandes, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas Emídio Sousa, o Deputado Carlos Gonçalves, a Cônsul-Geral de Portugal em Paris Mónica Lisboa, dezenas de Presidentes de Câmara e Vereadores, e muitas outras personalidades da Comunidade portuguesa de França, deram encontro em Nanterre.
Uma festa que já não cabe no espaço
Manuel Brito, Presidente da ARCOP de Nanterre e anfitrião desta feira que já ultrapassou duas décadas de existência, não escondeu o entusiasmo. “Hoje vamos ter aqui 600 pessoas a jantar”, dizia na sexta-feira, logo na abertura da Feira, sublinhando que o número tem crescido de ano para ano. Explicou que muitos visitantes chegam pela primeira vez “sem saber bem o que é esta feira” e acabam por regressar sempre. “Nunca mais querem ir embora sem passar cá na noite de fado”.
Porque a primeira noite é sempre dedicada ao Fado e durante o fim de semana a Feira vibra ao som das concertinas, dos bombos e dos cantares ao desafio.
Mas este ano, a programação musical trouxe novidades. O grupo Calhambeque atuou pela primeira vez, e este foi uma grande novidade porque em 20 anos, a ARCOP sempre programou o grupo Roconorte. “O povo já há muito que nos estava a pedir para mudarmos de grupo”, admitiu Manuel Brito, convicto de que a renovação mantém a festa viva.
O dirigente destacou ainda a presença maciça de autarcas portugueses: “Temos aqui dezenas de presidentes de Juntas e de várias câmaras” disse ao LusoJornal. E, para o principal organizador, esta adesão “é sinal de prestígio”, mas também um desafio logístico. “Recusámos três câmaras este ano. O espaço não dá para mais” confessa.
A feira, afirma, é única no seu género fora de Portugal. “Não há outra igual como esta” garante.




Uma montra do território português
Para o Deputado Carlos Gonçalves, a longevidade do evento fala por si. “É a vigésima primeira edição, o que demonstra a importância que esta feira tem”, afirmou ao LusoJornal. Considera-a uma verdadeira montra do melhor que os municípios portugueses produzem, mas também “um momento de reencontro entre autarcas e as suas Comunidades emigradas”.
O deputado sublinhou que, para muitos emigrantes, ver o Presidente da sua Câmara “tem quase mais importância do que qualquer outro político”. A feira, nesse sentido, funciona como “ponte emocional e institucional”.
Em geral, cada município organiza encontros com compatriotas seus, por vezes jantares ou almoços, mas em permanência vão falando “com gente da terra que vive cá”.
Para o Presidente da associação organizadora “este é um dos principais objetivos desta Feira, desde o primeiro dia”.




Produtos de excelência e oportunidades de negócio
O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, reforçou a ideia de que este tipo de iniciativas tem um impacto económico real. “Temos produtos de excelência – vinho, queijo, enchidos – que têm um mercado extraordinário em França e em qualquer parte do mundo”, afirmou, lembrando que muitos destes produtos só existem graças a tradições seculares.
Emídio Sousa deslocou-se a Nanterre na companhia do Embaixador António Moniz, Diretor Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas – que conhece bem a feira porque foi Cônsul-Geral de Portugal em Paris – e do Adjunto da Secretaria de Estado, Vítor Oliveira. Durante a visita, o Governante percebeu que vários produtores encontram em Nanterre “um grande mercado e não só o mercado da saudade”. E acrescentou, com orgulho: “Nós temos o melhor queijo do mundo, os melhores vinhos do mundo, enchidos únicos”.
Para os municípios presentes, a feira é também uma estratégia de desenvolvimento. “Eles vêm aqui uma oportunidade de criar emprego e fixar populações, que é o grande desafio de Portugal”, explicou Emídio Sousa entrevistado pelo LusoJornal. E concluiu com um apelo ao orgulho: “Às vezes somos humildes por natureza, mas é altura de sermos orgulhosos – não um orgulho arrogante, mas consciente”.
Uma ponte entre Portugal, França e a diáspora
A Cônsul-Geral de Portugal em Paris, Mónica Lisboa, também presente no dia de abertura da Feira, destacou o dinamismo associativo que o certame revela. “É a mostra do dinamismo de um meio associativo que ainda se sente e vive na região parisiense”, afirmou, sublinhando o papel da ARCOP (Associação Recreativa e Cultural dos Originários de Portugal) e em particular do seu Presidente Manuel Brito.
Recordou que o público não é apenas português. “Há franceses que vêm cá, e isso também é interessante para vender produtos portugueses.” Para a Cônsul-Geral de Portugal em Paris, o evento funciona como um verdadeiro mercado franco-português, aberto e atrativo.
Além da vertente gastronómica e cultural, o Ministério dos Negócios Estrangeiros marcou presença institucional com um stand dedicado a questões fiscais e de segurança social, sobretudo para quem pondera regressar a Portugal. “Isso também pode ser uma mais-valia para esta feira”, sublinhou.
Entre música, convívio, negócios e reencontros, a Feira de Produtores Portugueses de Nanterre voltou a provar que é mais do que um evento gastronómico: é um espaço de pertença, de orgulho e de ligação entre territórios. Um lugar onde Portugal se mostra, se saboreia e se reconhece – mesmo a centenas de quilómetros de casa.






