William Chareyre

Lyon: “Passeurs d’Europe” juntou poesia portuguesa com outra poesia europeia

O Consulado-Geral de Portugal em Lyon juntou-se aos outros Consulados e Institutos de cultura dos países com representação em Lyon, e organizaram mais uma edição do “Passeurs d’Europe” um espetáculo encenado que se realiza uma vez por ano.

Desta vez o tema escolhido foi “Liberdade. Força viva e implantada” e não poderia ser mais atual. O espetáculo, com uma encenação teatral, teve lugar no Théâtre Astrée, da Universidade de Lyon 1, em duas sessões: na segunda-feira 2 e na terça-feira 3 de março.

Para representar Portugal, foi declamado o poema “25 de abril” de Sofia Mello Breyner Andresen, em língua portuguesa, pela professora-leitora de Português na Universidade Lyon 2 e responsável pelo Centro de Língua do Instituto Camões em Lyon, Maria Luís Coutinho. Coube-lhe representar as “cores” de Portugal neste evento.

O poema foi também traduzido para francês e para três línguas de outros países europeus.

Maria Luís Coutinho declamou também, “A Pantera”, do poeta checo Rainer Maria Rilke, numa belíssima tradução do escritor português Vasco Graça Moura.

Presente no público esteve ainda a poeta romena Ana Blandiana e o Cônsul-Geral de Portugal em Lyon, João Marco de Deus, sendo ele um dos instigadores desta edição.

O famoso poema de Sofia de Mello Breyner sobre o 25 de Abril agradou muito ao público. Este espetáculo teve o apoio do Instituto Camões e do Consulado português em Lyon.

As sessões eram gratuitas e o público, como sempre, aderiu em grande número.

Os poemas declamados

.

25 de Abril

“Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo”.

A Pantera

“De percorrer as grades o seu olhar cansou-se

e não retém mais nada lá no fundo,

como se a jaula de mil barras fosse

e além das barras não houvesse mundo.

.

O andar elástico dos passos fortes dentro

da ínfima espiral assim traçada

é uma dança da força em torno ao centro

de uma grande vontade atordoada.

.

Mas por vezes a cortina da pupila

ergue-se sem ruído – e uma imagem então

vai pelos membros em tensão tranquila

até desvanecer no coração”.

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