“Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu partido
E o vento cala a desgraça
O vento nada me diz (…)”
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Contam com todos? E contamos todos?
Deveras? Será que desta vez quando encerrado o XXV Congresso do Partido Socialista, a promessa de ouvir e servir as Comunidades não será traída mal as portas do multiusos de Viseu fechadas? Será que teremos um compromisso inteiro do nosso Secretário-Geral respeitando e cumprido um plano de ação concreto e ambicioso para connosco, para com as/os militantes socialistas no mundo inteiro como para as Comunidades?
Aliás, sabem quem somos cá fora? Somos Portugal. Somos um povo espalhado pelo mundo que tem vivido uma vida inteira para Portugal mais do que para o próprio país de residência.
Marcamos uma data já para um Fórum anual europeu ou mundial para debater propostas sérias e prestar contas dos progressos das ações no ano a seguir para com as Comunidades. Ou terá o Conselho consultivo recentemente nomeado maior legitimidade? Terá a Diáspora uma palavra a dizer sobre o seu futuro? Ainda ouso perguntar: há vontade de capacitar as Secções do PS no estrangeiro em defender o socialismo democrático português? Declaro solenemente aqui que a nossa fidelidade à promessa do 25 de Abril nunca esmoreceu e nunca há de esmorecer.
Se saudamos a Moção estratégica global estatutária “Contamos com todos” e o esforço de imaginar e elaborar um programa político que prova que Contam com todos, aguardamos provas. Hoje no papel, amanhã na vida das pessoas às quais dedicamos a nossa própria vida cidadã, profissional, militante na meta nobre de transformar o sonho de igualdade que a Constituição de Portugal nos garante.
Também saudamos a criação do Departamento das Comunidades como lamentamos somente estar uma só pessoa a preenchê-lo para servir a nossa causa política, uma causa política de força maior que chama doravante pela vossa vocação militante porque Portugal não quer saber de nós. Das vinte Federações socialistas que conta o nosso país, pergunto qual tem um referente a trabalhar com as Secções no estrangeiro no sentido de criar proximidade entre cá e lá, entre vós e nós? Mais, pergunto: temos um futuro comum ou nem por isso?
Portanto, o que pode um enésimo Congresso do PS? Repetir que nos ama muito pela XXV vez sem provas ou escassas? Sem dúvida, o PS deve permanecer vivo tanto em todo país como fora junto das Secções que honram resiliente e apaixonadamente a ideia socialista, o seu nome e a sua história.
Nunca esqueçam: Também Somos Portugueses e também somos PS!
Precisamos de um PS livre de maus hábitos, condicionado por estratégias apáticas que segue padrões e softwares ultrapassados, precisamos de um PS mais organizado e capacitado para calar o grito fascista que nos ameaça em toda a parte. Somos pessoas militantes que “mesmo na noite mais triste em tempo de servidão, resiste e diz que não”. Não ao fascismo. Siamo tutti antifascisti! No estrangeiro também, apesar das análises enviesadas comentadas à toa aqui com uma ínfima participação eleitoral porque não há condição alguma para isso.
Neste sentido, para travar já as batalhas que contam sem desvios e desculpas sem jeito, para vencer uma vez por todas este aperto do perigo fascista, sejamos unidos. Volto então a pedir-vos humilde e seguramente mais paixão militante para com as Comunidades, para concretizar o sonho de quem vive fora: a conquista de mais respeito e direitos para nós, emigrantes e descendentes portugueses sendo milhões!
De facto, as Comunidades de Portugal colocam desafios fora do formato da democracia portuguesa. Mais uma vez: Também Somos Portugueses, temos ideias novas para avançar JUNTOS até outras vitórias. Isso, para nunca mais ficarmos sem voz porque nascidos da história no entanto extraordinária da Emigração portuguesa.
Será que nunca foi perdoado a quem partiu um dia para embora sempre voltar?
Por isso, aguardam-se decisões corajosas sobre:
– a organização do Partido fora, que leve a sério o seu destino em criar uma Federação para ambos os Círculos;
– a representação na AR com maior número de Deputados para a Emigração;
– a participação cívica e política: harmonização das modalidades de voto com direito a voto remoto eletrónico;
– o maior alargamento possível da possibilidade do ensino da nossa língua (do infantário até ao ensino superior) inclusive à distância;
– o apoio ao novo associativismo português em plena transformação generacional;
– o acesso aos Serviços públicos digitais como presencialmente em todo o mundo,
– fim das discriminações de ordem fiscal ainda em vigor.
Para concluir, como vós, somos filhos da Madrugada, fiéis ao leme do Eça de Queirós “luz para todo(a)s”, para contar dias mais felizes, sem deixar ninguém para trás, dentro e fora de Portugal. No âmbito da organização partidária, democrática, institucional, ecológica, social, espiritual, até civilizacional com tanta extrema-direita à espreita, cuja organização é internacionalizada, não faltam lutas à nossa frente. Vamos a luta!
Trabalhem, lutem, cantem, reguem a vossa vida militante do suor da vossa alegria e da honra de ser socialista. E toda a fatalidade anunciada pela Extrema-direita partirá de vez! A eleição de António José Seguro, socialista sempre e Presidente da República agora, é uma prova inegável do compromisso de uma vida inteira para o país reconhecido e gratificado. Felicidades Senhor Presidente!
Uma última palavra de gratidão e afeto à Direção Nacional das Mulheres Socialistas – que muito me honra ser membro eleita da Comissão política e seguir lutando junto das minhas camaradas em tempos de retrocessos mortíferos. Contra masculinistas cretinos, maus feiticeiros a pulular na vida virtual, como real, vomitando ódio além de ecrãs sujos de tanta ignorância e cobardia.
Contem comigo sempre porque nascer mulher não deve ser um castigo!
CONTEM CONNOSCO SEMPRE… SE CONTARMOS TODOS!
Viva o PS! VIVA Portuga!
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Nathalie de Oliveira
Secretária-Coordenadora da Secção do PS em Metz
Ex-Deputada do PS pelo círculo eleitoral da Europa
Ex-Maire-Adjointe de Metz






