Voto de pesar pela morte de Lionel Jospin aprovado por unanimidade na Assembleia da República portuguesa


A Assembleia da República portuguesa aprovou ontem, por unanimidade, um voto de pesar pela morte do antigo Primeiro-Ministro francês Lionel Jospin, destacando o “seu percurso cívico e político” e a “amizade que sempre manifestou” a Portugal.

Lionel Jospin, Chefe de executivo entre 1997 e 2002, morreu no dia 22 de março, aos 88 anos de idade, informou a família do socialista à agência de notícias francesa AFP.

Chefe de governo durante o primeiro mandato do Presidente conservador Jacques Chirac, Lionel Jospin liderou o PS francês de 1981 a 1988, sucedendo ao histórico François Miterrand, e, depois, entre 1995 e 1997.

Com a aprovação deste voto de pesar, o Parlamento português “manifesta o seu pesar pelo falecimento de Lionel Jospin, prestando homenagem ao seu percurso cívico e político e à amizade que sempre manifestou em relação a Portugal, transmitindo as suas condolências à República Francesa, à família, amigos, e ao Partido Socialista francês”.

O voto de pesar, apresentado pelo PS, recorda que Lionel Jospin recebeu em março de 2005, do Presidente Jorge Sampaio, a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

O voto refere que Lionel Jospin nasceu em 12 de julho de 1937 em Meudon, tendo ingressado “em 1956 no Instituto de Estudos Políticos de Paris, e em 1963 na École Nationale d’Administration”.

“A sua atividade política ativa tem início neste período, filiando-se em formações ‘trotskistas’. Admitido em 1965 no Ministério dos Negócios Estrangeiros, viria, porém, a renunciar às funções pouco depois, em 1968, em desalinhamento com a resposta do Presidente Charles De Gaulle aos protestos estudantis desse ano”, refere o texto.

O voto indica também que Lionel Jospin “ingressou em 1971 no Partido Socialista (PSF)”, tornando-se mais tarde “dirigente nacional e próximo da liderança de François Mitterrand”.

“Durante a presidência deste último, a partir de 1981, Lionel Jospin assume a liderança do PS francês (até 1988), e viria a integrar os Governos socialistas entre 1988 e 1992, como Ministro da Educação”, acrescenta.

O texto recorda também que, “depois de ter perdido a corrida presidencial de 1995 para Jacques Chirac, Lionel Jospin voltou a assumir a liderança do PSF, vencendo as eleições legislativas antecipadas de 1997”.

“Formou então um Governo de coligação, denominado de Esquerda plural, que implementaria reformas relevantes, como a semana de trabalho de 35 horas, a lei sobre a paridade na política, o alargamento do acesso à saúde gratuita e regulamentação das uniões civis”, refere igualmente.

“O insucesso em passar à segunda volta das eleições presidenciais de 2002 determinaria a sua opção de encerrar a sua longa intervenção política. Posteriormente, viria ainda a exercer funções no Conselho Constitucional, entre 2015 e 2019”, lê-se ainda.

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