LusoJornal | Mário Cantarinha

Joana Pereira a autenticidade do Fado, a emoção e um profundo sentido de pertença

O fado entrou cedo na vida de Joana Pereira. “Acho que já nasceu comigo”, conta ao LusoJornal. Foi o pai quem despertou essa veia artística, ensinando-lhe fados e poemas quando tinha apenas sete anos. A partir daí, o percurso foi natural: noites de fado, formação académica, estudos de teatro e teatro musical, e um caminho artístico que se foi cruzando entre várias áreas.

Mas foi em Paris que o fado ganhou espaço profissional. “Há cerca de quatro anos fui, por acaso, a um sítio onde estavam a cantar fado. Cantei uma vez e os convites começaram a surgir”, recordou.

Joana Pereira foi a convidada do mês na associação Gaivota, presidida por Maria José Henriques, numa tarde em que a música portuguesa voltou a encher o emblemático Château Lorenz, em Bry-sur-Marne. A artista, que substituiu à última hora uma colega inicialmente prevista para o cartaz, confessou que o convite foi inesperado, mas recebido com enorme alegria. “Gosto imenso de toda a gente que faz parte deste projeto”, disse, sublinhando o carinho que tem pela equipa da Gaivota e pelo público que ali regressa mês após mês.

A experiência de cantar fado em França tem, para Joana Pereira, um sabor particular. Em Portugal, explica, o público é maioritariamente português ou composto por turistas. Em Paris, há uma mistura que a emociona: portugueses que procuram um pedaço de casa e franceses que descobrem o fado por acaso e se deixam embalar pela sua intensidade. “É como trazer um bocadinho da nossa essência portuguesa para quem está longe”, afirmou.

Na associação Gaivota, encontrou precisamente essa diversidade – e um respeito profundo pelo silêncio que o fado exige. “O silêncio também é fado. É quase como se fosse mais uma quadra”.

Sobre a receção do público nesta primeira atuação no Château Lorenz, Joana Pereira prefere a humildade. Acredita que o público da Gaivota, habituado às tardes mensais de fado, sabe escutar e valorizar o momento, independentemente de ser a primeira vez que vêm um artista. Mas não esconde que sentiu carinho e atenção na sala.

A artista continua a dividir-se entre o fado e o teatro. No momento da entrevista, estava prestes a encerrar uma temporada no Teatro Pixel, em Paris, e preparava-se para atuar no restaurante Braseiro, em Rambouillet. Outros espetáculos estão a caminho.

Antes de se despedir, deixou uma mensagem aos leitores do LusoJornal: “Continuem com esta proximidade com tudo o que é português, porque nós somos portugueses e não há povo como nós”. Uma frase simples, mas que resume bem o espírito com que Joana Pereira leva o fado a quem vive longe do país – com autenticidade, emoção e um profundo sentido de pertença.

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