Feira recria invasões francesas que em 1809 mataram 71 pessoas em Arrifana


Santa Maria da Feira acolhe de sexta-feira a domingo cerca de 20 propostas de animação relacionadas com as invasões francesas na freguesia de Arrifana, recriando com 100 figurantes o assassinato de 71 habitantes por ordem do general Stoult.

Organizada pela referida autarquia do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, em parceria com a Junta de Freguesia de Arrifana, coletividades e escolas, a iniciativa também integra concertos, performances de dança, desfiles equestres, mostras de armas, um acampamento militar, uma “feira peninsular” com artesanato e alimentação, e até uma sessão culinária sobre o fabrico do bolo que ficou conhecido como “Napoleão”.

“Estamos a falar de um evento que valoriza uma parte importante da nossa história, que envolve a comunidade e que dinamiza o território”, declarou à Lusa o Presidente da Câmara Municipal da Feira, Amadeu Albergaria.

O autarca quer, por isso, “afirmar as ‘Invasões Francesas em Arrifana’ como um projeto com identidade própria, que tem potencial de crescimento no concelho”.

Os diferentes momentos do programa têm sempre por base o mesmo contexto histórico: durante a segunda invasão do Porto pelos franceses, no âmbito da Guerra Peninsular, o tenente-coronel Lameth, particularmente prestigiado entre as tropas de Napoleão, foi morto em Santiago de Riba-Ul, no concelho de Oliveira de Azeméis, numa emboscada liderada por Bernardo Barbosa Cunha, natural de Arrifana.

Foi em retaliação ao ataque em Ul que o marechal Nicolas Soult – tio de Lameth – deu ordem às suas tropas para rumarem a Arrifana, onde, a 17 de abril de 1809, sob o comando do general Jean Guillaume Thomières, assassinaram 71 pessoas, entre as quais 62 habitantes da freguesia que tinham procurado refúgio na igreja local.

O ponto alto do evento – cujo orçamento é de 46.000 euros – será assim a encenação do chamado “Massacre de Arrifana”, no largo onde atualmente se ergue o Memorial aos Mártires. Essa recriação específica está marcada para as 21h30 de sábado (hora portuguesa) e, segundo a organização, constitui um “espetáculo de grande formato que transporta o público até ao século XIX, recriando o impacto devastador das invasões francesas” nessa freguesia.

“Com um cenário dramático e, simultaneamente, realista, os espectadores acompanharão a invasão das tropas francesas, a resistência do povo português e o confronto com o império napoleónico”, prometem os organizadores.

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