LusoJornal | LuisSGonçalves

Ministra francesa Alice Rufo evoca a memória e a amizade franco‑portuguesa nas comemorações da Batalha de La Lys


O Monumento ao Soldado Português de La Couture voltou a reunir, este fim de semana, representantes de Portugal e de França para assinalar os 108 anos da Batalha de La Lys.

Diante das autoridades civis e militares dos dois países, Alice Rufo, Ministra delegada da Ministra das Forças Armadas francesas, responsável pela memória e pelos antigos combatentes, proferiu um discurso marcado pela emoção e pela reflexão sobre o sentido contemporâneo da paz.

“Há 108 anos, de 9 a 28 de abril de 1918, teve lugar uma das batalhas mais trágicas da Primeira Guerra Mundial”, recordou a Ministra, sublinhando que a jovem República Portuguesa decidira então “tomar a sua plena parte no destino comum das Nações Europeias”.

Discursando em frente do Monumento ao soldado português à frente do Ministro português da Defesa, do Embaixador de Portugal em França e de muitas outras personalidades, Alice Rufo evocou a chegada dos primeiros soldados portugueses a Brest, em fevereiro de 1917 - “alguns ainda saíam da infância, outros deixavam filhos à espera em casa” - e descreveu o drama do 9 de abril de 1918, quando a ofensiva alemã Georgette atingiu o Corpo Expedicionário Português. “No final dessa jornada, quase oito mil soldados portugueses estavam mortos, feridos ou desaparecidos. Este foi, para Portugal, o combate mais sangrento da guerra.”

LusoJornal | LuisSGonçalves

Apontando para o monumento atrás de si, a Ministra falou da força simbólica da escultura: “O caos de uma igreja derrubada, a pátria portuguesa de espada na mão, e, no centro, o jovem soldado que enfrenta a morte. Este é o rosto da guerra, o rosto que nunca vamos esquecer”.

Alice Rufo lembrou que “em Portugal, cada família conhecia pelo menos um deles que foi lutar na frente das Flandres”, citando o Ministro da Defesa Nuno Melo e o Embaixador Francisco Ribeiro de Menezes, ambos com antepassados que combateram na região.

A ministra destacou ainda que “Portugal mobilizou mais de 55 mil homens; um terço deles morreu, foi ferido ou desapareceu na frente ocidental, em África ou no mar”.

LusoJornal | LuisSGonçalves

O discurso evoluiu depois para uma dimensão europeia e contemporânea. “Estas lembranças aproximam Portugal e a França e marcaram esta terra de Flandres”, afirmou, recordando a condecoração de Portugal à cidade de Lille, com a Ordem da Torre e Espada em 1920.

Alice Rufo citou o Marechal Joffre, que ao inaugurar o monumento em 1923 lembrara que a paz se obtém “pela subordinação dos interesses particulares aos interesses gerais do mundo”. “Estas palavras ressoam hoje, num momento em que a guerra voltou ao continente europeu”, acrescentou.

LusoJornal | LuisSGonçalves

A ministra concluiu com uma referência literária ao escritor português António Lobo Antunes, “ex‑combatente que nos ensinou que escapamos do ciclo da violência apenas pela reflexão e pelo combate por aquilo em que acreditamos”.

“Nós devemos à juventude de hoje esse dever de memória, essa força moral, essa fraternidade entre os povos europeus. Viva a amizade entre os nossos dois povos, viva a Europa, viva Portugal, viva a República e viva a França” concluiu a jovem Ministra francesa.

Com este discurso, Alice Rufo reafirmou a ligação permanente entre França e Portugal, unidas pela memória dos soldados de La Lys e pela esperança de uma paz que, como disse, “é sempre frágil e à qual nunca nos devemos acostumar”.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

Não perca