Saúde: Apneia Obstrutiva do Sono em crianças


De uma forma geral, o conceito de apneia diz respeito a uma paragem do ritmo respiratório.

O tempo mínimo definido para que se esteja perante um episódio de apneia tem vindo a diminuir significativamente nas últimas décadas, acompanhando o conhecimento produzido, situando-se agora em torno dos 20/30 segundos. Esta redução articula-se com o aumento de casos a nível mundial, mesmo em idades precoces, ocorrendo em crianças com menos de dois anos. Assim é que se torna necessário diagnosticar precocemente, no sentido de evitar consequências graves.

O diagnóstico da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono em crianças, que se enquadra no espetro das perturbações do sono, faz-se, geralmente, avaliando clinicamente sintomas como ronco frequente, agitação e transpiração significativa durante o sono, bem como pausas respiratórias, muitas vezes documentados pelos pais com imagens em vídeo. Podem ainda verificar-se, durante o dia, obstrução nasal, respiração bucal, cefaleia matinal, problemas de concentração ou hiperatividade, débil performance atlética. A sonolência diurna é menos comum do que entre adultos com apneia obstrutiva do sono.

Sendo o ressonar um dos sinais que mais comummente é associado à apneia nas crianças, de acordo com a frequente afirmação das mães “ressona mais alto do que o pai”, convém esclarecer que, apesar de essa condição ser perspetivada como o primeiro estádio de perturbações do sono, muitas crianças passam por isso devido a situações pontuais, por exemplo, a uma infeção das vias aéreas superiores, por acumulação de muco na cavidade nasal.

Em crianças saudáveis, a causa mais comum da apneia obstrutiva do sono é o volume aumentado das amígdalas ou das adenoides. Assim, após cuidada avaliação clínica, a adenoidectomia e a amigdalectomia podem ser propostas como a forma mais eficaz de resolver a situação. No último procedimento, poderá optar-se pela remoção total das amígdalas (amigdalectomia total) ou pela preservação da respetiva parte externa, removendo apenas a parte obstrutiva da amígdala (amigdalectomia parcial ou intracapsular) que, se adequada, permite uma recuperação mais rápida e reduz o risco de sangramento durante o procedimento cirúrgico.

No caso de crianças que apresentam problemas anatómicos complexos, condições genéticas que alteram o controlo respiratório, ou patologias cardiopulmonares, a situação terá de ser cuidadosamente analisada, a fim de que se encontrem procedimentos cirúrgicos consentâneos com cada caso particular ou se recorra a meios de ventilação não invasivos, como é o caso de aparelhos que possibilitam a criação de um fluxo de ar positivo contínuo nas vias aéreas.

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Dr. Filipe Magalhães Ramos

Médico otorrinolaringologista

Diretor das Clínicas de Cirurgia Plástica FMR

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