Fernando Costa expõe em Paris: a sinalização rodoviária transformada em poesia visual


A Galerie Art Jingle, em Paris, inaugura no dia 21 de maio uma nova exposição individual dedicada ao artista franco‑português Fernando Costa, figura singular da cena artística contemporânea. A mostra, patente até 20 de junho, reúne um conjunto de obras recentes – abstratas e figurativas – realizadas a partir de placas esmaltadas e painéis de sinalização, materiais que se tornaram a sua marca estética.

Costa, nascido em 1970 em Sarlat‑la‑Canéda, filho de emigrante português, afirmou‑se ao longo de mais de duas décadas como escultor‑soldador autodidata, com um percurso tão improvável quanto coerente. Antes de se dedicar à arte, trabalhou como empregado de bordo no Queen Elizabeth 2 e no setor da hotelaria de luxo, até ao momento em que decidiu “largar tudo” para criar. Segundo a sua biografia, foi ao observar uma mesa improvisada com um sinal Speed Limit que descobriu o seu material de eleição – um verdadeiro ponto de viragem que orientaria toda a sua obra.

Representado pela Galerie Art Jingle há mais de vinte anos, Costa começou por recuperar painéis desativados dos serviços rodoviários de Sarlat, alargando depois o seu campo de recolha: placas de rua, sinalização do Metro de Paris, letreiros esmaltados, elementos industriais. “Gosta da ideia de dar uma segunda vida a fragmentos de metal que testemunham o seu tempo”, sublinha a galeria, evocando uma abordagem marcada pela memória coletiva e pelas marcas do quotidiano.

A exposição parisiense apresenta peças emblemáticas dos dois universos do artista: baixos‑relevos abstratos, monocromáticos ou explosões de cor, construídos a partir de fragmentos de metal; e obras figurativas onde os pictogramas se transformam em linguagem visual, como “Camion de la DDE” (2025) ou “Picto” (2025), uma escultura de placas esmaltadas.

Em “L’amour en flamme” (2024), uma das obras centrais do vernissage, Costa combina fragmentos de placas para criar uma composição vibrante, onde a cor e a matéria parecem incendiar‑se. A galeria descreve estas peças como “esculturas deitadas multicolores, mosaicos luminosos onde o olhar se perde com prazer” – uma fórmula que traduz bem a força visual do seu trabalho.

A carreira de Costa inclui momentos marcantes: a sua primeira exposição parisiense em 2000, muito elogiada; a criação da Art Car oficial das 24 Horas de Le Mans 2013, juntando‑se a nomes como Calder, Warhol, César ou Jeff Koons; e várias exposições em cidades como Biarritz, Sarlat ou Paris, onde realizou obras monumentais a partir de carroçarias automóveis.

O seu trabalho, profundamente enraizado nos códigos gráficos dos anos 1950 e 1960, convoca uma nostalgia que a galeria descreve como “um espaço de liberdade onde cada um pode contar a sua própria história”. Costa reivindica também uma filiação artística com César, que descobriu na adolescência e cuja força do gesto sempre admirou. A galeria recorda que o artista criou as suas primeiras peças no ano da morte do escultor francês, como um simbólico passar de testemunho.

O vernissage de 21 de maio, com a presença do artista, deverá atrair colecionadores, amantes de arte urbana e curiosos. Para a galeria, esta exposição é uma oportunidade de “(re)descobrir um artista verdadeiramente à parte”, cuja singularidade continua a conquistar um público cada vez mais vasto.

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Exposição “Fernando Costa – Art Jingle Paris”

De 22 de maio a 20 de junho

Galerie Art Jingle

21 avenue Niel

Paris 17

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