A associação Gaivota, em Bry‑sur‑Marne, recebeu este fim de semana a fadista lusodescendente Céline Pereira para o lançamento do seu primeiro trabalho discográfico, o EP “Alvorada”. A sala estava bem composta para ouvir a jovem artista, que regressou à Gaivota seis meses depois da sua estreia em novembro do ano passado, agora num momento particularmente simbólico da sua carreira: a apresentação pública do seu primeiro registo.
Com apenas cinco temas, “Alvorada” marca a entrada de Céline Pereira no universo discográfico e confirma a maturidade artística que tem vindo a construir entre França e Portugal. “É o meu primeiro EP, e é o LusoJornal que me faz a primeira entrevista”, disse com entusiasmo. O disco reúne dois temas escritos por si – “Silva Carvalho 13” e “Aurora” – e três composições de Tiago Andrade Nunes, que assumiu também a produção do trabalho. Gravado em Lisboa e editado pela Vidisco, o EP contou com músicos como Bruno David (viola), Ricardo Martins e Fernanda Maciel (guitarra portuguesa), Aramão de Figueiredo (viola), Filipe Larsen (viola baixo) e Arlando Figueiredo (viola de fado) numa combinação que preserva a matriz tradicional do fado, mas abre espaço a uma estética pessoal.
A promoção do disco começou por Portugal. Céline Pereira apresentou‑se recentemente na RTP, na TVI e na Rádio Amália, experiências que descreve como “uma sorte” e “muito fixes”. Em França, onde nasceu e vive, tem atuado sobretudo em restaurantes, mas garante que novos projetos estão a caminho. “Agora o verão está a chegar e há menos concertos de fado, mas em setembro virão mais coisas”, afirma.
Filha de pais portugueses, Céline Pereira assume com orgulho a condição de lusodescendente e a responsabilidade de representar o fado fora de Portugal. “Se quiserem apoiar um fado diferente, um fado de uma lusodescendente que se apaixonou pelo fado, então comprem o meu EP e venham ver‑me. Tento sempre defender as nossas raízes da melhor forma possível e respeitar o fado tradicional e a música portuguesa”, sublinha.
O regresso à Gaivota teve também um lado afetivo. “Foi uma surpresa quando me voltaram a convidar. Esta associação é muito fixe, existe há muitos anos, já trabalhou com muitos artistas. É sempre muito agradável vir aqui cantar e as pessoas são muito simpáticas”, disse, referindo-se à associação presidida por Maria José Henriques.

Desta vez, contou ainda com a presença especial da mãe na plateia, reforçando o ambiente familiar que marcou a tarde.
Com “Alvorada”, que, desta vez foi acompanhada pela guitarra portuguesa de Manuel Miranda, Céline Pereira dá um passo firme na construção de uma identidade artística própria, cruzando tradição e modernidade, e afirmando‑se como uma das vozes emergentes do fado na diáspora portuguesa em França.







