A fronteira de Vilar Formoso voltou este sábado a ser um dos palcos mais simbólicos da relação entre Portugal e a sua diáspora, com a realização da 5ª edição da operação “Obrigado e Boa Viagem”, promovida pela Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) e pela Fundação AEP. Entre as 10h00 e as 13h00, dezenas de voluntários receberam emigrantes e lusodescendentes que regressavam aos países onde vivem, transformando o momento da despedida num gesto de reconhecimento nacional.
Tal como anunciado previamente no LusoJornal, a iniciativa manteve a sua essência: cada família que atravessou a fronteira recebeu um saco com produtos portugueses, oferecido por empresas que se associaram ao projeto. “Mais do que um presente, trata‑se de um símbolo de gratidão pelo contributo económico, social e cultural que os emigrantes deixam no país durante as férias” disse ao LusoJornal Jorge Vilela, Diretor Executivo da AILD. A emoção foi, mais uma vez, o elemento central da manhã – abraços demorados, olhos húmidos e a sensação de que Portugal se despede sempre com o coração apertado de quem parte.
Este ano, a operação decorreu num contexto de crescimento. Jorge Vilela sublinha que a perceção de que “cada vez menos carros passam pela fronteira” não corresponde à realidade. “Começámos com 100 sacos há cinco anos. Este ano ultrapassámos os 350. É a prova evidente de que a passagem não diminuiu”, afirma. A AILD quer agora ir mais longe: “No próximo ano queremos juntar os nove municípios à volta da fronteira de Vilar Formoso e transformar o ‘Obrigado e Boa Viagem’ num evento ainda maior”.
A edição de 2026 fica também marcada pela expansão da iniciativa ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, graças à parceria com o Turismo Porto e Norte. A ação decorre até 30 de agosto e inclui um sorteio com seis prémios: o 1º Prémio é uma obra de arte da artista plástica Nathalie Afonso, avaliada em 750 euros, o 2º Prémio, é um conjunto de caçarolas e frigideiras – Linha Zero da Jomafe, no valor de 425 euros, o 3º Prémio, uma Peça de design decorativa “Alentejo” da Magna Natura, no valor de 270 euros, o 4º Prémio um voucher de um fim de semana para 2 pessoas em PC, da Fundação Inatel, no valor de 195 euros, o 5º Prémio um voucher de uma 1 noite para 2 pessoas em APA, da Fundação Inatel, no valor de 65 euros, e o 6º Prémio um voucher de 1 almoço ou jantar para 2 pessoas, com bebidas incluídas, da Fundação Inatel, no valor de 50 euros. A extração do sorteio terá lugar a 31 de agosto, com a presença anunciada do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
Para Jorge Vilela, esta evolução era necessária: “Estávamos muito concentrados nos emigrantes que vinham de carro, mas a maioria já viaja de avião. Era fundamental levar o projeto ao aeroporto”. A inovação é, aliás, uma marca da AILD: “Não repetimos ações. Procuramos sempre evoluir. Este ano temos o aeroporto, o sorteio, a roda da sorte para os mais jovens… não paramos de inovar”.
O responsável pela AILD faz também questão de esclarecer um ponto essencial: “Contrariamente ao que muitos pensam, não recebemos um cêntimo do Estado. A AILD e a Fundação AEP financiam este projeto. Depois temos o contributo de várias empresas que perceberam que este é dos poucos eventos que reúne emoções verdadeiras”. Entre as marcas presentes estão a Saborosa, a Frutorra, as pastilhas Gorila, Ramírez, Penha, The Cork Magicians, Chocolate Boutique, Blue Book, Rebuçados da Régua, o Auchan e o Intermarché de Almeida, entre outras. “Quando um emigrante pega numa pastilha Gorila ou numa bolacha Saborosa, fica ligado a este momento. E isso é muito importante para as marcas”.
A força emocional do projeto é também o que atrai voluntários. “Quem vem uma vez, volta sempre. E outros juntam‑se porque querem perceber porque é que este evento é tão especial. E realmente é”, diz Jorge Vilela ao LusoJornal, lembrando que muitos voluntários choram ao acompanhar as despedidas das famílias.
A edição deste ano contou ainda com a presença da RTP Mundo como parceiro de rádio e com cobertura televisiva da RTP. Jorge Vilela deixou um agradecimento especial ao LusoJornal: “Desde o primeiro ano que estão connosco. O Mário Cantarinha já é um dos nossos”.
A manhã deste sábado em Vilar Formoso voltou a confirmar que a despedida dos emigrantes continua a ser um dos momentos mais intensos do verão português. Entre malas, abraços e emoções à flor da pele, a AILD e a Fundação AEP mantêm viva esta homenagem aos que partem.







