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Crónica de Jéssica Ferreira, andebolista do Clermont

No sábado disputou-se a última jornada no National 1. Fomos à casa do Bourg de Péage, 3° classificado. O resultado final não influenciava em nada a classificação final delas, mas para nós, uma derrota significava um filme de terror com um desfecho parecido ao ‘Get Out’. Neste filme, só o Toulouse era o protagonista e nós, seriamos a família que via os seus planos a ir por água abaixo.

E meio que foi assim o início do jogo. Entramos muito nervosas, com falhas técnicas e sem conseguir atacar sem comprometer. Começamos com um sistema defensivo 3:3 e não conseguimos fechar os espaços às pivots que tinham para cima de 1,80 cm. O Bourg de Péage marcou logo dois golos e nós demoramos 5 minutos até conseguir meter a bola lá dentro. As dificuldades ofensivas e defensivas continuavam e foi hora de mexer na equipa. Descemos a defesa para um 6:0 muito agressivo e comecei a aparecer, ajudando a equipa a defender e a lançar a bola para o ataque. Aos 20 minutos conseguimos empatar o jogo e July Monton marcou aquele que seria o golo que nos punha em definitivo na frente.

No intervalo, o resultado mostrava 10-13 favorável para nós. No entanto, contra equipas como esta, sabíamos que não podíamos relaxar. Na segunda parte, assistimos a um “show de bola” de Enora Blezes que nos blindou com uma prestação ao nível das melhores do mundo. Passados já 10 minutos, uma vantagem de 7 golos já nos fez respirar de alívio, sem nunca abrandar o ritmo de jogo. O resultado final fixou-se em 21-33 e a festa fez-se em Bourg de Péage, com os nossos adeptos que se deslocaram até lá para nos apoiar num dia histórico para o clube.

Foi a minha primeira época como profissional, no Clermont (HBCAM), e não podia ter tido um melhor desfecho. No Natal, estávamos em 4° lugar, a 4 pontos do primeiro, com 14 jogos a disputar. Tínhamos sofrido 3 derrotas, todas elas pela margem mínima. Era um longo caminho a percorrer. Passados 6 meses, não perdemos um único jogo e terminamos com os mesmos pontos que o Toulouse, mas o confronto direto pôs-nos em primeiro lugar. O Clermont subiu de divisão com quatro jogadoras lusas: Beatriz Sousa, Cristiana Morgado, Maeva De Almeida, e eu. Está na hora fazer as malas e voltar ainda mais forte no próximo ano, com a ambição, vontade e empenho de sempre.

 

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