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Sendo o LusoJornal um meio de informação de referência nas Comunidades Portuguesas, nomeadamente em França, é importante efetuar alguns esclarecimentos em relação ao artigo do mesmo, sob o título “Toulouse: Conselheiro das Comunidades António Capela demissionou alegando ‘divergências inultrapassáveis’ com o Vice-Cônsul”, datado de 05/12/2020.

Enviei um pedido de reforço de um Técnico de Serviço Social para a SECP, tendo dado conhecimento do mesmo ao Vice-Consulado de Portugal em Toulouse, não sendo portanto a este endereçado diretamente. Mesmo assim, e pese embora a política de comunicação do MNE neste tipo de assuntos, houve um direito de resposta, que até hoje não compreendo.

Nunca eu referi que o “Vice-Cônsul não tem tratado dos pedidos sociais que chegam ao posto”. Erra o LusoJornal ao transcrever tal frase. O que sempre mencionei e continuo a mencionar é que é necessário reforço do posto para que possam acompanhar melhor as questões sociais. É mesmo indicado em artigo do LusoJornal o seguinte: 1. “O trabalho do Vice-Consulado de Portugal em Toulouse e de qualquer dos seus funcionários não está em causa, nem nunca esteve. Não foi esse o fundamento da minha comunicação, que julgo ter sido mal interpretado. O posto consular de Toulouse e os seus funcionários fazem atualmente o melhor que podem com os meios que lhe foram disponibilizados”. 2. “Mais precisamente em relação às questões sociais, nunca foi posto em causa que estas não eram analisadas ou tratadas. No entanto, talvez haja diferentes interpretações do que faz um Técnico de serviço social ou das expectativas da Comunidade portuguesa na região” escreve António Capela.

É ainda referido, a título de exemplo, no LusoJornal que: “Desde 2015, ano em que fui eleito para o atual mandato, que solicito insistentemente que seja equacionado o reforço do posto consular de Toulouse, com um Técnico de serviço social. Se até então já era essencial ter um Técnico de serviço social, que pudesse ter versatilidade para poder colaborar em diversas tarefas neste Vice-Consulado, neste momento torna-se absolutamente urgente esta colocação” escreve o Conselheiro das Comunidades na carta a que o LusoJornal teve acesso”.

Para qualquer pessoa que saiba interpretar língua portuguesa, perceberá que insisto num Técnico de Serviço Social desde 2015, e que isso em nada tem que ver com a atual composição da equipa consular ou com o titular do posto, que à época nem sequer era o mesmo.

Como refere o LusoJornal ainda: “Para o Conselheiro das Comunidades, justifica-se agora, mais do que nunca, a colocação de um Técnico de serviço social no vice-Consulado de Portugal em Toulouse para “colaborar e ajudar os milhares de Portugueses da região, a articular as informações das instituições francesas e portuguesas. É acima de tudo alguém especializado que conhece as legislações dos dois países, e em certa medida tem relações diretas e muitas vezes privilegiadas diplomaticamente com as instituições dos países onde se encontram ao serviço” diz no correio enviado ao Ministro. António Capela afirma mesmo que “é disto que os milhares de Portuguesas residentes na região consular de Toulouse necessitam com a máxima urgência”.

Como se pode verificar, o Técnico de Serviço Social deveria colaborar com o atual titular de posto e reforçar as competências deste posto consular, permitindo assim ao mesmo ver reforçada a sua equipa, e alocar mais recursos e mais meios ao atendimento, presencial e telefónico, organização, planeamento e representação.

É por isso uma afirmação errada, a que surge no artigo.

Basta olharmos para outros postos na Europa em que os Conselheiros solicitam reforço para os postos, uma vez que os serviços estão saturados, e não são alvos de direitos de respostas por parte dos diplomatas. Já pedi igualmente em vários momentos mais Assistentes técnicos para o posto de Toulouse. Do que percebo do senso comum e do contacto que tenho tido com outros titulares de postos e Conselheiros, quanto mais recursos melhor, para servir a Comunidade portuguesa.

É absolutamente indiscritivel que este assunto tenha sido inviesado, prejudicando assim a comunidade portuguesa, que hoje, e tal como eu relatava há meses, se vê confrontada com o avolumar dos problemas, e o posto consular com recursos cada vez mais escassos. O posto chegou mesmo a funcionar há algumas semanas com apenas 3 pessoas.

O LusoJornal refere erradamente que “anunciou ter criado na cidade uma Secção do PSD”. O que anunciei e que está escrito no LusoJornal é que: “encontra-se em fase avançada de negociação” a criação. Não que foi criada. Não existe secção do PSD em Toulouse. Não entendo aliás a ligação que o LusoJornal coloca num artigo que não é político. A não ser que o LusoJornal conheça alguma informação que eu desconheço.

O LusoJornal indica que “António Capela tem mostrado mais interesse pelas questões locais de apoio às Comunidades, do que pela participação numa reflexão mundial sobre as Comunidades”. O LusoJornal opina sobre esta questão, uma vez que não é um elemento objetivo de informação, e por isso deverá saber o LusoJornal que diversas vezes emiti opiniões sobre os sucessivos adiamentos das eleições, que ainda recentemente assinei uma nota com mais de 60 Conselheiros, com aconselhamentos à SECP sobre o voto e o desdobramento das mesas para as próximas eleições presidenciais, para referir apenas exemplos mais recentes. Não obstante, orgulho-me muito de ter contribuído para acompanhar quem me elegeu. As permanências consulares em Fumel e Perpignan são disso exemplo.

Refere o LusoJornal que: “Os cargos não existem para nos servirmos, servem para servirmos, interpretação que não está ao alcance de todos” escreve António Capela, deixando no ar a ideia que Miguel Costa se serve do posto que atualmente ocupa”. É claramente uma interpretação abusiva das minhas palavras e que apenas vincula o próprio LusoJornal, único órgão ou agência noticiosa a efetuar tal interpretação. Estava evidentemente a referir-me a mim próprio, uma vez que abandono o cargo, não querendo servir-me dele até ao final do meu mandato. Aliás, com as divergências de fundo já relatadas, entendo que não poderia mais continuar no cargo.

Refere o LusoJonal que: “Pode aliás acontecer que, tendo em consideração que as próximas eleições do CCP tenham lugar em setembro, já não tenha tempo de formalizar a nomeação de Carolina Amado, a “número dois” da lista de António Capela”. Tendo em conta que as eleições já foram adiadas diversas vezes, a data exata das mesmas só se saberá quando a SECP as marcar formalmente. Não entendo aliás que a SECP, mesmo que as eleições sejam em setembro “não tenha tempo”, para cumprir a lei em vigor. Falamos de 9 meses. Relembro que em casos semelhantes tal processo decorreu em poucas semanas.

Refere novamente o LusoJornal que: “Para além de ser Conselheiro das Comunidades e responsável pela Secção de Toulouse do PSD”. Erra mais uma vez o LusoJornal ao transmitir tal informação, que não confirmou. Nem eu sou Presidente de tal secção nem tal secção existe, ao dia 7 de dezembro de 2020.

Como refere o LusoJornal: “O Vice-Consulado de Portugal em Toulouse depende do Consulado Geral de Portugal em Bordeaux e já por várias vezes foi equacionado o seu encerramento, tanto em Governos do PSD como em Governos do PS”. Por estas mesmas razões me bati nos últimos anos pelo reforço do posto, tantos com técnicos superiores como com assistentes técnicos. Um dia contar-me-ão uma história de que como já só há um ou dois funcionários, terão que passar o posto a escritório consular, e nesse dia a comunidade portuguesa e eu próprio não nos esqueceremos de nenhum pormenor, nem dos culpados. Espero nesta matéria estar totalmente errado. O tempo o dirá!

Grato pela publicação integral “ipsis verbis”.

António Capela

 

Nota da Redação do LusoJornal

O LusoJornal solicitou uma “Entrevista vídeo” ao Conselheiro António Capela para fazer o balanço do seu mandato e as razões que levaram à sua demissão. Quem tem coisas a explicar, explica-as. Mas António Capela recusou. Prefere mandar cartas, fugindo à confrontação. É pena!

 

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