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António Coimbra Martins, um dos fundadores do Partido Socialista (PS) e ex-Ministro da Cultura, morreu ontem em Paris com 94 anos. Coimbra Martins, foi um destacado escritor, diplomata, político e intelectual, tendo dividido a sua vida entre Portugal e França.

Em 1965, em Paris, foi o responsável pela criação, através da Fundação Calouste Gulbenkian, do Centro Cultural Português. Bem mais tarde também foi Diretor Adjunto e depois Diretor (1997-1998) da Delegação de França da Fundação Calouste Gulbenkian.

Uma vez inaugurado o Centro em 1965, é António Coimbra Martins que organiza e enriquece a Biblioteca tornando-se o seu Diretor (e acumulando com as funções de Sub-Diretor do Centro). “A riqueza da Biblioteca da Delegação em França, hoje em dia uma das principais coleções de língua portuguesa fora de Portugal, na Europa, muito lhe deve. Deixa uma obra escrita importante sobre literatura portuguesa” diz uma nota da Delegação da Gulbenkian em Paris. “Aposentado, continuou o seu trabalho de investigação, frequentando regularmente a Biblioteca e participando nas atividades propostas pela Delegação em França”.

Em 1974 foi designado responsável pelos trabalhos da Delegação portuguesa encarregada de preparar a reinserção de Portugal na Unesco e nesse mesmo ano, foi nomeado Embaixador de Portugal em Paris.

A sua atuação, no âmbito da diplomacia, salientou-se particularmente nas negociações decisivas que envolveram o processo de integração portuguesa na Europa, na abertura das relações diplomáticas com a China e no início de uma política inovadora em relação à emigração portuguesa em França.

Foi eleito Deputado pelo círculo eleitoral da Emigração na Europa pelo PS, em 1983. Em 1985 foi eleito deputado por Vila Real e foi também Deputado europeu de 1986 a 1994, tendo integrado o Grupo Socialista no Parlamento Europeu.

Nascido em Lisboa, em janeiro de 1927, António Coimbra Martins era formado em Filologia Românica, pela Universidade de Lisboa, e foi professor do ensino secundário e leitor de Português nas Universidades de Montpellier, Aix-Marseille e Paris, tendo depois ingressado como assistente na Faculdade de Letras de Lisboa, onde regeu a cadeira de literatura francesa.

Coimbra Martins foi Ministro da Cultura no IX Governo Constitucional em Portugal, que teve como Primeiro Ministro Mário Soares (PS).

Aliás, o Partido Socialista lamentou a morte de António Coimbra Martins, recordando-o como “um símbolo da luta incansável pela liberdade”.

“António Coimbra Martins permanecerá para sempre na história do Partido Socialista, não só como seu fundador, não só como símbolo da luta incansável pela liberdade, mas também como um prestigiado intelectual que dedicou a sua vida também à projeção da cultura portuguesa além-fronteiras”, lê-se na nota do PS.

Em 1997, foi agraciado com o grau de Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e o governo francês atribuiu-lhe o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras.

 

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