“Le mot progrès n’aura aucun sens tant qu’il y aura des enfants malheureux”
(“A palavra progresso não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes”)
disse Albert Einstein
O Dia Mundial da Criança é um momento de reflexão sobre a forma como a sociedade protege aqueles que representam o seu futuro. Celebrar a infância implica também reconhecer que milhões de crianças em todo o mundo continuam privadas dos direitos mais básicos: amor, segurança, educação, saúde e dignidade.
É difícil compreender como alguém pode fazer mal a uma criança. A inocência do seu olhar, a pureza dos seus sonhos e a forma confiante como descobrem o mundo deveriam inspirar apenas proteção e ternura. No entanto, todos os dias surgem casos de violência, negligência e abandono que chocam a consciência coletiva.
Em Portugal, o caso de abandono das crianças francesas veio recordar-nos que ainda existem realidades dolorosas que não podem ser ignoradas. Quando uma criança é abandonada ou maltratada, não é apenas uma vida que fica marcada. É toda a sociedade que é chamada a refletir sobre os seus valores e sobre a sua capacidade de proteger os mais vulneráveis. Como pode um ato tão cruel ser cometido contra seres que dependem inteiramente do cuidado e do amor dos adultos?
Uma atenção especial deve ser dada às crianças órfãs, que muitas vezes aguardam anos por uma família. Todas elas merecem mais do que um abrigo. Merecem um lar onde encontrem afeto, estabilidade, respeito e esperança. Nenhuma criança deveria crescer sem sentir o calor de uma família e a certeza de que é amada.
Mas o sofrimento infantil não conhece fronteiras. Em várias regiões do mundo, milhões de crianças vivem em cenários de guerra. São vítimas inocentes de conflitos que não escolheram, perdendo familiares, casas, escolas e, muitas vezes, a própria infância. Enquanto algumas sonham com o futuro, outras lutam apenas para sobreviver ao presente.
Não podemos igualmente esquecer as meninas que continuam privadas de direitos fundamentais. No Afeganistão, por exemplo, muitas jovens não têm acesso à educação e às oportunidades que lhes permitiriam construir o seu futuro. Negar a uma criança o direito de aprender é limitar a sua liberdade, o seu desenvolvimento e a possibilidade de escolher o seu caminho.
Em Portugal, apesar de uma evolução positiva em alguns indicadores sociais, cerca de 300 mil crianças vivem em risco de pobreza, com uma taxa próxima dos 17%, o que revela que a vulnerabilidade infantil continua a ser uma realidade significativa.
Em França, a situação também permanece preocupante: cerca de 3 milhões de crianças vivem na pobreza e mais de 2.100 chegaram a dormir na rua em 2025, segundo organizações de defesa dos direitos humanos.
Em ambos os países, milhares de menores estão sinalizados ou acompanhados pelos serviços de proteção de crianças, o que evidencia situações de risco, negligência ou violência. Estes dados mostram que, mesmo em contextos desenvolvidos, a proteção efetiva da infância continua longe de estar garantida.
Os direitos das crianças não podem depender do país onde nascem, da situação económica da sua família, do seu género ou das circunstâncias em que vivem. Cada criança tem o direito de crescer em segurança, de receber educação, de ser protegida contra todas as formas de violência e de viver com dignidade. Defender os direitos das crianças não é apenas uma responsabilidade dos governos ou das instituições. É um dever de todos nós.
Porque o verdadeiro progresso de uma sociedade não se mede pela riqueza ou pelo avanço tecnológico, mas pela forma como se trata as crianças. E enquanto houver uma única criança privada de amor, proteção ou esperança, o progresso continuará a não ter verdadeiro sentido.






