
O Embaixador de Portugal em Paris, Francisco Ribeiro de Menezes, organizou uma cerimónia junto ao busto de Camões na capital francesa, na qual participou também o Ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes. Ambos deixaram uma coroa de flores em memória do poeta épico português.
“Reunimo-nos hoje, como é de tradição, aqui em Paris, junto ao busto de Luís Vaz de Camões, para iniciar as celebrações oficiais do 10 de julho, o Dia de Portugal de Camões e das Comunidades portuguesas. E fazemo-lo aqui em Paris, uma cidade que sabe tão bem reconhecer a força da cultura, da palavra e da memória” começou por dizer o Embaixador português. “E fazemo-lo diante de Camões, este senhor que aqui está, não apenas como homenagem ao poeta, mas também como gesto de gratidão a quem deu forma lírica a uma ideia de Portugal: o Portugal que abriu e que ampliou o mundo ligando povos, um Portugal feito de partidas e de regressos, de coragem e de empreendedorismo, mesmo quando essa palavra ainda não existia”.
Para o ouvir, estavam presentes a Embaixadora de Portugal junto da Unesco, Rosa Batoréu, a Cônsul-Geral interina de Portugal em Paris, Mafalda Paiva de Oliveira, e a quase totalidade da equipa da Embaixada de Portugal em Paris. Estavam também alguns dirigentes associativos.

“Camões é, todos sabemos, autor de Os Lusíadas, uma das maiores obras literárias do mundo. É também o símbolo cimeiro de uma língua que hoje vive em vários continentes e que junta cada vez mais milhões de pessoas, de comunidades e de histórias. O português é falado por cerca de 300 milhões de habitantes deste planeta” lembrou Francisco Ribeiro de Menezes. “É uma língua em progressão, é uma língua de entendimento, língua veicular e é uma língua de paz. Para nós, aqui hoje de manhã, celebrar Camões em Paris, é lembrar que Portugal existe, de igual modo nos portugueses e nos lusodescendentes que aqui vivem, estudam, trabalham, ensinam, cuidam e representam o melhor do nosso país”.
A Banda Filarmónica de Paris não esteve só, este ano, porque tocou os hinos dos dois países com os alunos da Escola Profissional de Artes da Covilhã.
“Deixo uma palavra muito especial para a juventude, quer da Banda Filarmónica de Paris, quer a que vem da Covilhã, no quadro de um programa Erasmus. Eu espero que um dia desses também se candidatem à Europa Criativa” disse na sua intervenção o Ministro da Agricultura que representou o Governo nesta cerimónia. “Este programa Erasmus, no fundo, elimina fronteiras que nós há muitos anos atrás eliminámos quando partimos para o mar sem medo. E neste dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, não podia deixar de começar com a frase, “por mares, nunca antes navegados. Nós nunca tivemos medo. Já nessa altura. Também partimos para o desconhecido, muitas vezes aqui para França, a salto”.
José Manuel Fernandes que foi eleito Deputado pelo círculo eleitoral da Europa, embora depois tivesse sido chamado ao Governo, citou Tolentino Mendonça, “nosso Cardeal e poeta”, quando disse que “Crer é habitar o caminho”. E lembrou que “os portugueses que estão aqui também habitam o caminho, também são uma mais-valia para estes territórios, neste caso para Paris e para a França e são uma mais-valia para Portugal”.

Francisco Ribeiro de Menezes considerou que a Presença do Ministro da Agricultura e do Mar “dá a esta cerimónia um significado particular”. “Num dia em que evocamos a relação profunda de Portugal com os vastos espaços oceânicos, e aqui reporto mais à sua vertente de Ministro do Mar do que da Agricultura, os espaços oceânicos que são um mundo de descoberta, de sustento, de investigação constante, da nossa própria sobrevivência enquanto espécie, tão presente na nossa história e tão decisivos para o nosso futuro”.
Mas foi com outra frase de Tolentino Mendonça que José Manuel Fernandes lhe respondeu: “Podemos olhar para a árvore, mas ela existe porque há raiz” e acrescentou que “os portugueses, estejam onde estiverem, têm bem presente essa raiz. Mesmo quando estamos longe da nossa origem, nunca a esquecemos, até a reforçamos e somos os melhores embaixadores de Portugal. Nunca esquecemos a nossa terra, somos solidários e essa solidariedade também é absolutamente essencial. Somos solidários, somos mais-valia, não temos medo, o mundo é composto de mudança, mas nós não temos medo também dessa mudança”.

E “a melhor forma de honrar Camões”, segundo o Embaixador de Portugal, foi dar a palavra a quatro alunos dos cursos de português do Instituto Camões, que leram poemas de Luís Vaz de Camões, em português.
Lá estava a Coordenadora Geral do ensino de português, o Conselheiro cultural, o novo Conselheiro social, o Conselheiro da Segurança social, o Diretor da AICEP, o Amanuense do Adido militar, e quase todos os funcionários da Embaixada portuguesa em Paris, onde, esta tarde, haverá uma receção evocativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades portuguesas. Como disse Francisco Ribeiro de Menezes, para que “continuemos a fazer de Portugal um país presente no mundo, fiel à sua memória, fiel à sua história e sempre voltado para a construção do seu futuro”.






