LusoJornal | António Borga

Centenas de convidados comemoraram o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades na Embaixada em Paris

O Embaixador de Portugal em França, Francisco Ribeiro de Menezes, organizou ontem uma receção nos salões da Embaixada para assinalar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades portuguesas. Os dois convidados de honra foram o Ministro português da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, e o Senador francês LouisJean de Nicolaÿ, Presidente do Grupo de Amizade França‑Portugal.

Estavam também presentes os dois Deputados eleitos pelo círculo eleitoral da Europa, Carlos Gonçalves (PSD) e José Dias Fernandes (Chega).

Entre os convidados encontravam‑se ainda várias personalidades francesas, como Xavier Bertrand, Presidente da Région Hauts‑de‑France, bem como o antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, e o antigo Embaixador de Portugal em Paris, Jorge Torres Pereira.

A receção reuniu igualmente dirigentes associativos, agentes culturais, professores, empresários e diplomatas de outros países acreditados em França.

Dirigindo‑se ao Senador Louis‑Jean de Nicolaÿ, o Embaixador português afirmou que “a sua presença, hoje, aqui, como representante do Parlamento francês, é o sinal de uma relação bilateral viva e preciosa, que vai além dos ciclos políticos”. Recordou ainda a entrada em vigor recente do Tratado de Amizade entre a França e Portugal, assinado em 2025, no Porto, pelo Primeiro‑Ministro Luís Montenegro e pelo Presidente Emmanuel Macron.

“A França e Portugal estão ligados por uma amizade antiga e sólida. A visita de Estado do Presidente Emmanuel Macron, no ano passado, a Portugal permitiu – assim o espero e estou certo disso – dar um novo impulso à relação bilateral. O Tratado de amizade e cooperação assinado no Porto celebra e reforça este vínculo singular entre os nossos dois países”, afirmou por sua vez o Senador francês.

Sublinhou ainda que “esta relação tão única entre os nossos dois países é fruto do vosso trabalho e do vosso percurso de vida, de cada uma e de cada um de vós, pois é, de facto, a fortíssima presença das nossas respetivas diásporas, as trocas permanentes entre as nossas duas comunidades, que fazem a força e a singularidade da relação entre a França e Portugal”. E acrescentou, em tom mais leve: “não esqueço também que o Paris Saint‑Germain não teria vencido sem o contributo dos jogadores portugueses, especialmente do Vitinha”. A sala, maioritariamente portuguesa e parisiense, aplaudiu.

Relações económicas e União Europeia dominaram os discursos

Francisco Ribeiro de Menezes falava também para um público francês e para os diplomatas de outros países quando lembrou que a relação entre a França e Portugal era “de proximidade, de confiança recíproca e de capacidade de trabalho conjunto”.

“No plano económico, a França é um dos nossos principais parceiros – na verdade, é o segundo maior parceiro. As nossas trocas comerciais estão a um nível nunca antes atingido. Em matéria de investimento, a França ocupa igualmente a segunda posição nos setores da nossa economia”, afirmou, sublinhando as milhares de empresas francesas presentes em Portugal e as cerca de 200 grandes empresas portuguesas instaladas em França, desde a fabricação de drones às energias renováveis.

Dirigindo‑se em português à sala, Francisco Ribeiro de Menezes acrescentou que “a Comunidade portuguesa de França é uma das grandes histórias de sucesso da nossa presença no mundo. E temos aqui muitos testemunhos e protagonistas disso mesmo”.

Também o Senador francês Louis‑Jean de Nicolaÿ quis assinalar “a importância de duas políticas europeias fundamentais que partilhamos: a Política Agrícola Comum e a política de coesão territorial. Com efeito, estas duas políticas traduzem, no quotidiano, os laços entre os nossos territórios e a Europa, representando – de forma mais ou menos visível, mas de maneira tangível para os nossos concidadãos – a ação territorial da Europa através de projetos concretos. Se acrescentarmos as regiões ultraperiféricas que temos em comum – a Madeira e os Açores para Portugal, os departamentos e territórios ultramarinos para a França – percebemos bem que trabalhamos por uma certa conceção do alcance mundial dos nossos valores europeus”.

O Ministro português, dirigindo‑se ao Senador Louis‑Jean de Nicolaÿ, respondeu: “Espero que não destruamos a Política Agrícola Comum para depois dizer que precisamos de uma Política Agrícola Comum. Às vezes as pessoas pensam que se dá muito dinheiro aos agricultores, mas a verdade é que 42% do orçamento da PAC é para objetivos ambientais. Quarenta e dois por cento! E a prova é que os agricultores recebem menos de 40% em comparação com a média das outras profissões”.

José Manuel Fernandes reforçou ainda que “é importante manter uma Política Agrícola Comum – e o termo ‘comum’ é essencial, porque corremos o risco de uma renacionalização desta política, onde os países mais fortes podem colocar mais dinheiro, nomeadamente com ajudas do orçamento nacional, destruindo os países mais pobres e com menos meios”.

José Tolentino Mendonça e o General De Gaulle foram citados

O Ministro da Agricultura e do Mar começou a sua intervenção citando o Cardeal‑poeta José Tolentino Mendonça: “Cada português é uma expressão de Portugal e é chamado a sentir‑se responsável por isso. E nós sentimos. Porque quando concebemos uma casa, também construímos a cidade. E quando lançamos o barco ao mar, não somos apenas responsáveis pelo barco, mas por todo o oceano. Quando queremos interpretar a árvore, não podemos esquecer que ela não viveria sem as suas raízes. E nós também não esquecemos as nossas raízes. Como disse Camões, passámos por mares nunca dantes navegados, com coragem, com mais força do que a força humana permitia”.

José Manuel Fernandes apelou então a que “não esqueçamos as nossas raízes, não esqueçamos a nossa pátria. E a prova disso é que, quando vamos às associações portuguesas, vemos cada vez mais jovens a dançar o nosso folclore, a nossa tradição. É a força das diferenças – das nossas diferenças”.

O Embaixador português lembrou também a eleição, na semana passada, de Portugal para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, para o biénio 2027‑2028. “Aproveito esta oportunidade para cumprimentar os colegas aqui presentes, que também são Embaixadores não‑residentes em Lisboa, pela paciência durante estes anos e pelas sucessivas ações da nossa candidatura”.

“Neste 10 de junho, celebramos, pois, a nossa memória, mas também a nossa ambição. A memória de Camões, a língua portuguesa que é tão importante em França, a memória daquelas e daqueles que levaram Portugal ao mundo. Mas também a ambição de uma relação franco‑portuguesa mais forte, mais moderna, mais útil aos nossos cidadãos, às nossas empresas, às nossas Comunidades, à Europa e ao mundo”, afirmou o Embaixador de Portugal.

No final do seu discurso, o Ministro José Manuel Fernandes declarou: “Nós somos patriotas, mas não somos nacionalistas”. E citou o General De Gaulle: “O patriotismo é amar o seu país. O nacionalismo é odiar o país dos outros”. Concluiu: “Nós amamos o nosso país – e também amamos o país dos outros!”. Foi largamente aplaudido pela numerosa assistência.

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