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Cultura

 

Este sábado, dia 17 de setembro vai ser inaugurada em Lisboa, no Espaço Espelho D’Água, a exposição “Margens Atlânticas”, da realizadora francesa Ariel de Bigault e do artista angolano-cabo-verdiano Francisco Vidal.

Este dia ficará marcado por um encontro-diálogo, no qual o artista e a cineasta darão a conhecer o projeto e algumas curiosidades na relação entre este e os seus percursos.

“Margens Atlânticas” nasce em Lisboa, do encontro entre Francisco Vidal, artista que explora as identidades africanas e diaspóricas, e Ariel de Bigault, autora e realizadora francesa com um longo percurso em Portugal e nos países lusófonos.

Na sequência de séries como “Black Mamba”, “Tempestade”, “Humans go Home” – variações a partir de temas e/ou figuras – “Margens Atlânticas” é a mais recente série de trabalhos de Francisco Vidal.

Inspirado nos filmes de Ariel de Bigault, o artista procura utilizar o desenho e a pintura para explorar momentos, como se de um storyboard “pós-filme” se tratasse. O seu objetivo é “perceber a fronteira entre o filme e o desenho (…) e como esta fronteira se torna uma ponte, uma ferramenta para acabar com os muros”.

Trabalhando em coautoria no âmbito desta exposição, os desenhos e pinturas de Francisco Vidal e os vídeos de Ariel de Bigault sugerem cruzamentos artísticos e conexões entre personalidades e patrimónios.

A exposição será composta por diversas instalações, nas quais serão integrados múltiplos materiais e recursos audiovisuais: dos trechos de filmes da cineasta e respetivos espaços de visualização, à reprodução de imagens dos mesmos que serão confrontadas com os múltiplos desenhos do artista.

No Espaço Espelho D’Água visam recriar personagens e situações: de Grande Othelo, Gilberto Gil e Zeze Motta (Éclats Noirs du Samba, 1987), a Orlando Sérgio, Kussundulola, General D, Isilda Hurst (Afro Lisboa, 1996), Paulo Flores e Lourdes Van Dúnem (Canta Angola, 2000), passando por José Eduardo Agualusa, Mariza, Kalaf e Cool Hipnoise (Margem Atlântica, 2006) e ainda Fernando Matos Silva, João Botelho e Ângelo Torres (Fantasmas do Império, 2020).

Por diferentes que sejam os percursos dos dois autores, partilham diversos pontos de convergência, pelo que num primeiro encontro a sensação foi comum: a de que provavelmente já se deveriam ter conhecido. Para além da forte ligação à música enquanto “respiração, ritmo, vida e pulsação das obras”, a afirmação das culturas africanas e afrodescendentes assim como as diásporas à conquista de espaços, são igualmente temas muito presentes nas obras dos dois criadores.

Francisco Vidal e Ariel de Bigault consideram que a falta de arquivos afro-lusófonos e afro-europeus impõe a urgência de registos contemporâneos de figuras, atitudes e ideias que nos juntem na construção do presente e do futuro.

A exposição está inserida no programa da Temporada Portugal-França 2022.

Para além da exposição de Ariel de Bigault e Francisco Vidal no Espaço Espelho D’Água, terá lugar na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, um ciclo que irá exibir os filmes da cineasta entre 19 e 24 de setembro.

 

Quem é Ariel de Bigault?

Ariel de Bigault, autora e realizadora francesa, é profunda conhecedora da história e cultura portuguesas. Realizou os seus primeiros filmes em Portugal, aos quais se seguiram retratos de grandes artistas afro-brasileiros (“Éclats Noirs du Samba”, 4 x 52′. 1987).

“Afro Lisboa” (1996) e “Margem Atlântica” (2006) partem ao encontro de africanos que constroem em Lisboa o seu espaço e identidade. “Canta Angola” (2000) celebra a música popular em Angola, numa época ainda dilacerada pelos conflitos.

Contribuiu também para a divulgação na Europa de músicas lusófonas, especialmente de Cabo Verde e de Angola, com diversos discos antológicos. A sua última longa-metragem “Fantasmas do Império” (2020) explora o imaginário colonial no cinema português desde o início do século XX até hoje. Foca, em grande parte das suas realizações, artistas e culturas africanas, afro-lusófonas, afro-brasileiras e afro-europeias, indagando na sua cinematografia as paradoxais dinâmicas culturais e sociais do mundo lusófono.

Muitos dos seus filmes foram precursores na promoção de expressões nascidas das colonizações, das lutas, dos exílios e das migrações, de encontros, misturas e fusões. Estes sublinham contextos históricos e culturais, dando visibilidade a comunidades marginalizadas. Propõem encontros, justaposições e contrapontos muitas vezes inéditos.

 

De 18 a 29 de setembro

“Margens Atlânticas”

Ariel de Bigault e Francisco Vidal

 

Espaço Espelho D’Água

Av. Brasília

Edifício Espelho D’Água (ao lado do Padrão dos Descobrimentos)

 

Diariamente, das 11h00 às 00h00

Entrada gratuita

 

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