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A Associação Desportiva Franco-Portuguesa (ASFP) Lusitanos, de Toulouse, teve de interromper a temporada desportiva por causa da pandemia de Covid-19.

Numa entrevista ao LusoJornal, o Presidente deste clube de futebol, Martinho Carneiro, disse que se as associações não se unirem, vão ter dificuldades para passarem esta fase de pandemia e podem não sobreviver.

 

Qual o impacto do confinamento para a associação?

Como muitas das associações, fomos obrigados a parar as nossas atividades desportivas, treinos e jogos de futebol em consequência do Covid-19.

 

Este confinamento trouxe problemas financeiros para a associação?

Para já não. A associação tem sido gerida à medida das suas possibilidades, dentro do que podemos ter à vista. Por isso, temos sempre grandes cautelas na gestão financeira. A maior perda para nós foi a limitação na prática de desporto para cerca de 30 atletas, equipa técnica e direção. Claro que o facto de não ter atividades nos impede de obter algumas receitas semanais, vindas dos convívios, que nos ajudariam no próximo ano.

 

Teve algum apoio, por exemplo da Mairie ou de Portugal?

Não solicitámos apoios. Da Marie, o facto das eleições municipais terem ficado suspensas afeta de certa forma toda a organização da metrópole, embora na comuna onde temos a nossa sede, já tenha sido eleito o Maire à primeira volta. Estamos neste momento a negociar um local para uma sede, que neste momento está suspenso. De Portugal, não solicitámos. Os apoios que existiam foram para candidaturas a entregar até dezembro, e que já estavam previstas antes desta pandemia. Este ano, por uma questão de organização interna, não nos foi possível formular uma candidatura. Esperamos fazê-lo para o ano de 2021. Quanto a apoios específicos para as associações afetadas pela pandemia, não temos conhecimento que haverá apoios para este efeito específico.

 

Quando espera que a associação volte às atividades?

As atividades não serão retomadas antes de setembro. E mesmo em setembro veremos como o serão, dado ser uma atividade sensível a nível de contacto físico, como é o caso do futebol. Neste momento ainda não há indicações da Liga. A Direção tem-se mantido em contacto por forma a poder preparar a próxima época. Tanto na renovação dos jogadores, como na negociação de novas aquisições, como com o acordo com novos e já existentes, patrocinadores.

 

Acha que o público vai continuar a frequentar as associações?

Acho que haverá uma grande mudança no próximo ano. Terá que haver uma adaptação e uma reformulação de algumas atividades, para que as associações possam continuar a existir e subsistir. Penso que é importante que a Comunidade portuguesa se prepare para um ano de muito menos festas, e de festas com muitas restrições. Teremos que dimensionar as atividades e eventos à medida das existências.

 

A sua associação serve refeições? As associações que servem refeições vão poder continuar a fazê-lo?

As refeições que servimos são aos atletas no final das atividades. Como só retomaremos as atividades em setembro, teremos tempo até lá de analisar e de ponderar o que iremos ou não fazer, para garantir a segurança dos atletas e sócios que nos visitam nos treinos ou jogos. Seguiremos as instruções das entidades públicas.

 

Depois da pandemia, o que pode mudar no movimento associativo português?

É importante que todos tenham a noção que se a Comunidade portuguesa não se unir verdadeiramente, pode vir a passar muitas dificuldades. Mais ainda do que aquelas que já são previsíveis. Podemos ter um antes e um depois da pandemia para as associações. É importante que não haja um desligamento durante meses, ou mesmo 1 ou 2 anos, entre a Comunidade e as associações, e nomeadamente as segunda e terceiras gerações. Podemos nunca mais conseguir recuperar este tempo perdido. É por isso importante que todos os intervenientes com responsabilidades possam intervir, e não deixar que esta falta de atividades esperada, possa deixar cair no esquecimento estas ligações sociais.

 

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