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Em Strasbourg, mais de 600 elementos das forças policiais continuam à procura do autor do ataque cometido na terça-feira à noite, perto do ‘Marché de Noël’, naquela cidade francesa. O suspeito, um homem de 29 anos, foi ferido, mas conseguiu fugir. Por enquanto o balanço desta tragédia é de três mortos e vários feridos.

Tiago Pereira, atleta luso que atua no Sélestat, a poucos quilómetros de Strasbourg, contou-nos como viveu a noite de terça-feira e confiou-nos como foi o dia pós-ataque.

 

Como soube do ataque em Strasbourg?

Soube através a minha namorada, que está em Portugal e que me mandou mensagens a perguntar se eu estava bem. Eu não sabia de nada porque ainda não tinha visto as notícias. Quando vi o que se passava, no início até fiquei algo tranquilo, porque estou a 30 minutos de Strasbourg, isto apesar de passar lá muito tempo, mas na terça estava por Sélestat. Depois comecei a ficar mais stressado quando recebi muitas mensagens e quando vi o proprietário do restaurante português, onde eu costumo ir comer quase todas as semanas em Strasbourg, a dizer que estava fechado no restaurante e que não sabia o que se estava a passar. Fiquei em casa a acompanhar as notícias.

 

Vai muitas vezes a Strasbourg? Podia estar por lá?

Sempre que vou a Strasbourg, vou sempre para o centro, vou dar um passeio pelas ruas da cidade. Durante a semana seria difícil eu estar lá porque tenho treino duas vezes por dia. Mas se fosse ao fim de semana havia mais probabilidades de estar por lá.

 

Quando é a primeira vez que se está perto de um ataque terrorista, com que sentimento se fica?

Fiquei stressado, liguei para as pessoas mais chegadas para falar, apenas falar e dizer que estava bem. Eu estava sozinho em casa. Uma pessoa vê sempre estes ataques na televisão, mas nunca tinha estado num local tão próximo e num sítio que frequento regularmente. Fiquei stressado e com um pouco de medo, por saber que ele andava solto e que ainda não o tinham apanhado. Ele podia estar em qualquer lado. Naquele momento queria falar para que as pessoas me acalmassem. Ainda hoje falei com o meu fisioterapeuta e perguntei se ele tinha ficado chocado. Ele respondeu-me que ficou um pouco, mas que em França já estão habituados a este tipo de acontecimentos. Eu admiti que tinha ficado stressado com isto tudo e sobretudo por não saber por onde ele anda.

 

Quando saiu de casa, olhou um pouco por todo o lado?

Claro que olhei. Ao sair as ruas estavam vazias. Apesar de Sélestat ser uma pequena cidade, há sempre pessoas e não havia quase ninguém. Quando saí de casa olhei para todos os lados, acho que é um instinto natural. Tentei ficar calmo, entrei no carro, fiz as minhas coisas tranquilo e fui para o treino. Passei por uma escola onde os miúdos estavam todos acompanhados pelos pais. No treino falamos todos um pouco sobre isso. Para uns é quase natural, e eu fui o único que fiquei mais chocado e mais stressado. Acabou o treino, vim para casa e não saí desde então, e não faço questão em sair.

 

Para tentar esquecer, seria importante o autor deste ataque ser detido?

Para passar isto tudo, o ideal era ele ser apanhado. Penso que a maior preocupação das pessoas, apesar de elas estarem tristes com o que aconteceu porque houve mortos, é ele não estar detido. Só vamos ficar descansados quando ele for detido. Só assim podemos ficar mais tranquilos e continuar a vida de uma maneira mais normal. Tento estar tranquilo e ver a vida normalmente, mas ele anda à solta e não sei por onde ele anda. Da maneira que ele deve estar, tudo pode acontecer. Até ele ser apanhado, o sentimento das pessoas vai ser de receio e de apreensão.

 

 

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