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Atleta luso-francesa é a grande estrela da Seleção francesa de ginástica

LusoJornal / Marco Martins

Mélanie de Jesus dos Santos – também conhecida por Mélanie DJDS – é uma jovem franco-portuguesa que nasceu na Martinique a 5 de março de 2000, tendo atualmente 19 anos. É a estrela da Seleção francesa de ginástica e alcançou recentemente o apuramento para os Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, em 2020, tendo expetativas altas.

Mélanie DJDS é uma atleta que tem conquistado um grande número de títulos e de medalhas desde 2017, em apenas… dois anos!

– Três vezes Campeã da Europa: Medalha de ouro no Solo em Glasgow (Escócia) em 2018, Medalha de Ouro no Solo e no Concurso geral em Szczecin (Polónia) em 2019.

– Vice-Campeã da Europa: Medalha de Prata no Concurso geral por equipas em Glasgow (Escócia) em 2018. Medalha de Prata na Trave em Szczecin (Polónia) em 2019.

– Bronze nos Europeus: Medalha de Bronze no Concurso geral em Cluj-Napoca (Roménia) em 2017.

As linhas do palmarés da atleta franco-portuguesa escrevem-se a nível europeu mas também mundial: três vezes vencedora em Taças do Mundo – Medalha de Ouro na Trave em Doha (Qatar) em 2018, Medalha de Ouro nos Internacionais de França em Solo em 2018 e Medalha de Ouro nas Paralelas assimétricas nos Internacionais de França em 2019.

A nível nacional, Mélanie de Jesus dos Santos não tem concorrência: Sete vezes Campeã de França: Ouro em 2017 no Concurso geral, Ouro em 2018 no Concurso geral, no Solo e nas Paralelas assimétricas. Ouro em 2019 no Concurso geral, na Trave e no Solo.

A atleta lusodescendente concedeu uma entrevista ao LusoJornal, onde abordou as suas ligações com Portugal.

 

A ginástica foi sempre a sua paixão?

Quando era mais jovem, não comecei pela ginástica. No início comecei pelo judo. Pratiquei essa modalidade porque queria praticar uma disciplina desportiva. Depois descobri a ginástica e fiquei apaixonada pela modalidade. Soube desde o início que esta era a minha modalidade. Eu ia para a ginástica com um enorme prazer, para também fazer asneiras, entre aspas, quer dizer andar a dar cambalhotas por exemplo (risos). Houve um momento em que me disseram que tinha potencial para ser uma atleta de alto nível, eu aceitei o desafio, e ainda hoje estou cá (risos). E sempre com o mesmo entusiasmo e prazer.

 

O que podemos dizer sobre as suas origens?

O meu pai é português, a minha mãe é da Martinique. O meu pai é originário dos arredores de Lisboa. Ele instalou-se na Martinique onde encontrou a minha mãe.

 

Já foi a Portugal?

Nunca fui a Portugal, mas é um desejo que tenho, viajar e ir a Portugal. Tenho duas meias-irmãs e gostaria de as conhecer. Gostaria de percorrer Portugal para descobrir o meu país de origem, ver essa minha segunda nação. Aprender e conhecer a minha outra cultura.

 

Porque ainda não foi?

Não sei. Já falei várias vezes com o meu pai para irmos a Portugal durante as férias, mas tenho um programa sempre muito complicado a gerir. E quando tenho algum momento de livre, admito que prefiro ir à Martinique onde tenho toda a minha família, em vez de ir a Portugal. Mas tenho tempo e vou ter de ir a Portugal.

 

Fala português? Aprendeu quando era jovem?

Admito que, quando era jovem, muito mais jovem, o meu pai falava-me em português e eu percebia, mas entretanto esqueci-me de tudo, e já nem sei falar português.

 

Presumo que as suas origens trazem a curiosidade das atletas lusófonas?

Muitas vezes durante as provas, há atletas portuguesas e brasileiras que querem falar comigo em português, mas eu não consigo, digo-lhes que não falo português, o que traz algumas dificuldades na comunicação. Mas é óbvio que, naturalmente, há essa aproximação entre atletas.

 

Sente a pressão do público por ser “estrela” da Seleção francesa?

Claro que sinto alguma pressão, mas acho que é uma pressão positiva. Isso dá-me ainda mais vontade de alcançar bons resultados.

 

Em Paris, nos Internacionais de França, alcançou o ouro nas Paralelas assimétricas…

Estou contente com a minha atuação nas Paralelas assimétricas. Era um programa novo e estou muito feliz por ter alcançado o ouro. Estou realmente satisfeita porque não é uma prova na qual me sinto totalmente à vontade. Posso quase dizer que foi uma surpresa, mas ao mesmo tempo eu trabalho para alcançar este tipo de resultados.

 

Na segunda final em que participou, na Trave, teve apenas o 7° lugar…

Estava com stress porque não tive tempo de fazer um bom aquecimento. Quando estou nesta situação, tenho dificuldades em estar concentrada na trave. Foi um problema de concentração que me atirou para um resultado menos bom.

 

Que balanço podemos fazer da prova parisiense?

Eu apenas vou guardar o que foi positivo. Esta prova fez com que entre novamente neste ambiente dos Mundiais, dos Europeus. Estou feliz por conseguir fazer todos os movimentos sem problemas que tive no início da época. O ambiente foi incrível em Paris. Eu pensava que já estava habituada, mas não. Quando as pessoas gritam, apoiam-te, tens uma sensação particular que passa por todo o corpo, tipo arrepios. Até pode desestabilizar porque nas outras provas não temos este tipo de ambiente. Senti um grande apoio com pessoas a gritarem o meu nome, não é todos os dias que vivemos isso.

 

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