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Ao ler o Evangelho do próximo domingo, recordei imediatamente um antigo slogan que ainda hoje acompanha várias campanhas de solidariedade: «se não podes fazer o milagre da multiplicação, faz o da divisão». Não podemos continuar a ignorar a lição que Jesus hoje nos propõe: diante do apelo dos pobres, a comunidade cristã tem de aprender a partilhar. Nenhum de nós pode dizer que não tem culpa pelo facto de 80 por cento da humanidade ser obrigada a viver com 20 por cento dos recursos disponíveis. Nenhum cristão pode “lavar as mãos” quando se gastam em armas e extravagâncias recursos que deviam estar ao serviço da saúde, da educação, da habitação, da construção de redes de saneamento básico…

Aliás, não é uma coincidência que o Evangelho deste domingo tenha um inegável contexto eucarístico (as palavras «ergueu os olhos ao céu e recitou a bênção, partiu os pães e deu-os aos discípulos» recordam a fórmula que usamos sempre que celebramos a Eucaristia). Na verdade, sentar-se à mesa com Jesus e receber o pão que Ele oferece (Eucaristia) é comprometer-se com a dinâmica do Reino e assumir, portanto, a lógica da partilha, do amor, do serviço. Na Eucaristia, todos somos convidados a lutar contra as desigualdades, os sistemas de exploração, os esquemas de açambarcamento dos bens, os esbanjamentos, a procura de bens supérfluos…

Quando unimos à celebração da Eucaristia esta lógica de partilha e de serviço, testemunhamos de forma credível a presença de Jesus no mundo e fazemos com que o Reino seja, cada vez mais, uma realidade viva na história dos homens.

 

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