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Religião

 

 

«O que é que eu fiz para merecer isto? Porque é que Deus me mandou esta cruz?» Quantas vezes ouvi estas e outras lamentações. Pessoas oprimidas pelo sofrimento, que se zangam com Deus e exigem uma explicação. Mas dizer que as coisas boas que nos acontecem são a recompensa de Deus para o nosso bom comportamento e que as coisas más são o castigo para o nosso pecado, equivale a acreditarmos num deus mercantilista e chantagista que, evidentemente, nada tem a ver com o Pai que nos foi revelado em Jesus Cristo.

No Evangelho do próximo domingo, citando duas tragédias do seu tempo (o desmoronamento da torre de Siloé e a condenação à morte de alguns galileus) Jesus desconstrói uma crença popular muito difusa ainda hoje: que as desgraças sejam uma forma de punição divina; que Deus possa impedir estas tragédias, mas decida permanecer surdo e mudo aos nossos gritos de desespero.

Jesus diz-nos algo de surpreendente: a vida tem uma lógica própria, uma autonomia própria. Se a torre de Siloé caiu, a causa provavelmente está num cálculo errado na sua construção. A condenação à morte dos galileus explica-se com a política imperialista romana, que usa a violência como instrumento de opressão. Cristo restabelece a justa responsabilidade e elimina a ligação direta entre pecado e castigo.

No entanto, podemos ler estas tragédias como um aviso que a vida, não Deus, nos faz: debaixo dos escombros daquela torre poderíamos estar nós… As nossas vidas são frágeis e o nosso tempo é breve: não podemos desperdiçar os nossos dias! Quaresma é tempo de arrependimento, de grandes decisões, de transformação da própria vida. Não a desperdicemos. Não percamos tempo.

 

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