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O Evangelho do próximo domingo, descreve-nos o episódio da Transfiguração de Jesus no monte Tabor, onde Deus revela a sua inebriante beleza a Pedro, Tiago e João; uma beleza que contém todos os ingredientes que um trio de hebreus, da Palestina antiga, poderia apreciar e compreender.

Tudo se passa num monte, local privilegiado da revelação de Deus, capaz de evocar diversas experiências decisivas, como por exemplo, a aliança do monte Sinai. As vestes de Jesus brilham e recordam o resplendor de Moisés, depois do encontro com Yahweh. São envolvidos por uma nuvem que lembra a presença divina que conduzia o povo de Israel no deserto. Junto a Jesus aparecem Moisés e Elias, que representam a Lei e os Profetas. Enfim, escutam uma voz («Este é o meu Filho muito amado») que sugere uma perfeita continuidade com as palavras escutadas no batismo de Jesus. Diante deste quadro magnífico, Pedro não se contém e exclama espontaneamente: «Senhor, como é bom estarmos aqui!»

A palavra “kalós”, no grego antigo, pode traduzir-se de duas maneiras: “bom” ou então, “belo”. Eu prefiro a segunda opção porque descreve com maior exatidão a experiência, essencialmente visual, que os discípulos viveram: Senhor, como é BELO estarmos aqui! E é urgente sublinhar a beleza da nossa fé: somos cristãos, não porque temos medo de Deus, ou porque concordamos com uma moral que encontrámos escrita na Bíblia, mas porque fomos seduzidos pela beleza de Deus. O Evangelho é a “Bela” Notícia (“kalós”!). Jesus Cristo é o Pastor “Belo”. E é esse “kalós” que devemos anunciar. Como dizia o grande escritor russo Dostoiévski: «A beleza converterá o mundo».

 

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