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A famosa parábola do fariseu e do publicano, que escutaremos no próximo domingo, dia 27, normalmente é interpretada desta forma: enquanto que no fariseu (devoto escrupuloso) vemos todos aqueles que se acreditam irrepreensíveis e superiores, no publicano (pecador público) vemos a pessoa que reconhece os próprios erros e pede perdão a Deus. Jesus louva a atitude de arrependimento e ensina-nos que «todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

Mas para os cristãos do nosso tempo esta interpretação não estará já “fora do prazo”? A nossa sociedade é tão diferente da de Jesus… Ele contava as suas parábolas a um mundo profundamente religioso, onde a hipocrisia consistia em ostentar uma imagem de “beatitude” e ortodoxia. Hoje em dia o que se admira é precisamente o contrário: o aplauso vai para quem contesta as normas religiosas e o adjetivo “transgressor” tornou-se um dos elogios mais desejados.

Provavelmente somos obrigados a alterar os termos da parábola, se queremos preservar o seu significado original. Os publicanos de ontem são os novos fariseus de hoje, que dizem «Ainda bem que não sou como aqueles crentes hipócritas, que passam a vida a rezar, mas no fundo são piores do que os outros!».

Inevitavelmente, ninguém é totalmente fariseu ou totalmente publicano. Já que temos de conciliar estas duas dimensões, pelo menos que seja desta forma: como o fariseu, esforcemo-nos por não roubar, respeitar as leis e pagar os impostos. Como o publicano, reconheçamos, quando estamos diante de Deus, que o que fizemos é sempre pouco e que necessitamos da Sua misericórdia.

 

Linda de Suza 19/20
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