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No tempo de Jesus, o leproso era o protótipo do marginalizado: além de causar naturalmente repugnância pela sua aparência e de infundir o medo de contágio, ao leproso eram atribuídos, automaticamente, pecados graves (a lepra era vista como um castigo de Deus). Por tudo isto, quando identificados, os leprosos eram excluídos da sociedade e obrigados a afastarem-se de qualquer convívio humano.

O Evangelho do próximo domingo, dia 13, descreve-nos a cura de dez leprosos e é mais uma ocasião em que o Novo Testamento dá protagonismo aos excluídos da sociedade hebraica, reforçando desta forma a certeza de que a Salvação não se destina apenas ao “Povo eleito”, mas a todos os homens, sem exceção. Mas esta página do Evangelho propõe-nos também uma outra reflexão muito importante: mais do que no milagre em si, o acento é colocado na gratidão e no fato de apenas um dos leprosos curados (um samaritano) ter voltado atrás para agradecer: «Jesus, tomando a palavra, disse: ‘Não foram dez que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?’ E disse ao homem: ‘Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou’».

De que serve estar “são” se não estou “salvo”? Dez pessoas foram curadas, mas apenas uma encontrou a Salvação. E os nove ingratos representam perfeitamente uma ideia de cristianismo muito difusa, que vê em Deus um potente curandeiro, a invocar nos momentos de aflição, mas imediatamente colocado de parte quando as coisas correm bem. No próximo Domingo, Jesus recorda-nos que não há verdadeira redenção sem uma resposta de gratidão e de adesão plena à proposta de vida nova que Deus nos faz.

 

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