Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.
Donativos LusoJornal

 

Quando visitamos um santuário importante, é quase impossível não encontrar vendedores que ganham a vida com o comércio gerado pela passagem dos peregrinos. Compreendo que este tipo de negócio possa ferir a sensibilidade de alguns. Confesso que também não me entusiasma muito, mas não me escandalizo se um devoto quer levar consigo algo que recorde a sua viagem. Porém, apesar do berro que Jesus lança aos vendilhões do templo no Evangelho do próximo domingo («não façais da casa de meu Pai casa de comércio!») não é honesto apelar-se a este episódio se não gostamos de ver vender postais e porta-chaves, pois Ele refere-se a algo muito mais importante.

O problema não era o comércio em si, mas a mentalidade que estava por detrás da barafunda que Jesus encontrou no templo de Jerusalém. Os comerciantes não estavam ali a vender recordações, mas fomentavam, com a própria atividade, a ideia errada e ofensiva de se poder negociar com Deus. Iludiam os peregrinos com a promessa de comprar favores divinos, em troca de uma oferta. Ainda hoje, esta mentalidade corrói a fé de tantos batizados, que dão dinheiro a falsos profetas, na esperança de obter o que desejam. Como se Deus fosse um déspota que é preciso corromper ou um devasso que podemos subornar. No entanto, muitos não querem abandonar esta mentalidade, pois isso significa renunciar à esperança de “controlar” Deus, de poder obrigá-l’O a obedecer à nossa vontade. Mas enganam-se, porque o Pai que nos foi revelado no Filho, não é um comerciante de milagres. E ai de quem disser o contrário.

 

Religião
X