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No dia em que a Igreja celebra a solenidade da Epifania (do grego επιφάνεια que significa “manifestação”) normalmente é anunciada, durante a missa e de forma solene, a data da próxima Páscoa, que em 2020 se celebrará no dia 12 de abril. Poderá parecer estranho anunciar a data que recorda a cruz, quando nas nossas igrejas ainda podemos contemplar a imagem do presépio, mas se na Epifania celebramos a manifestação de Deus ao mundo, é na Páscoa e no crucifixo que essa revelação atinge a plenitude. No entanto, é-nos já dada, nesta celebração, a possibilidade de intuir a verdadeira identidade de Jesus e os presentes oferecidos pelos magos fornecem-nos algumas “pistas” que não podemos ignorar…

Ouro: uma prenda digna de um monarca. A criança que nasce no estábulo de Belém é o Messias, o Cristo Rei.

Incenso: a resina perfumada normalmente oferecida e queimada nas grandes celebrações religiosas. Jesus é Deus; o Verbo feito carne; o Filho do Altíssimo.

Mirra: quase uma prenda de “mau gosto” para se dar a um recém-nascido, se consideramos que é um ingrediente utilizado na embalsamação dos cadáveres. No entanto é um presente que nos recorda que Jesus Cristo é o cordeiro de Deus que dá a vida; é o Crucificado.

A página do Evangelho de Mateus descreve-nos também algumas das reações possíveis que podemos assumir diante da notícia do nascimento de Jesus Cristo, nomeadamente podemos refletir sobre três atitude bem distintas: a de Herodes, a dos escribas e a dos magos.

A Bíblia diz-nos que Herodes «ao ouvir tal notícia (…) ficou perturbado». Imediatamente convocou à sua presença os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, mas não por desejar conhecer a Verdade. Entre a sua vontade e a de Deus, Herodes escolheu a primeira e procura silenciar a segunda. Não lhe interessa que a criança seja o Messias. Para Herodes a única coisa importante é poder continuar a viver como sempre viveu.

Quando Herodes pergunta aos sacerdotes e escribas o lugar onde o Messias deveria nascer, estes não hesitam e dão imediatamente a resposta certa: «Em Belém da Judeia». No entanto, para nossa surpresa, eles não partem com os magos para Belém. Conseguem indicar a estrada justa aos outros, mas não estão dispostos a segui-la. Tal como a atitude de Herodes, também esta reação é muito comum hoje em dia. Conhecemos a mensagem de Jesus e conseguimos até explicá-la ao mundo, mas falta-nos a coragem de viver a radicalidade do Evangelho e, portanto, permanecemos numa vida que pouco ou nada se distingue das vidas de quem não tem fé.

A última reação é a dos magos que nos catequizam, não tanto com as palavras que dizem, mas sim, com os gestos que fazem. Sem perder tempo, lançam-se à estrada e deixam para trás o conforto e a segurança das próprias casas. Têm sede de Deus e por isso colocam-se em Caminho, prontos a abandonar tudo o que conheciam, tudo o que sabiam. E são sempre eles, os magos, que nos dão esta última indicação preciosa: «avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho». O encontro com Cristo muda-nos e obriga-nos a viajar por uma nova estrada. Não podemos voltar a percorrer os velhos caminhos, pois esse encontro (se for verdadeiro, se for autêntico) determinará uma profunda conversão e uma mudança radical de direção nas nossas vidas.

Um bom domingo a todos e um feliz 2020!

 

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