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Cinema: “As Vozes do Fado” teve antestreia francesa em Paris

Altina Ribeiro Altina Ribeiro

O documentário «As Vozes do Fado», de Ruben Alves e Christophe Fonseca, produzido pela Imagina Produções, a produtora que os dois fundaram, foi apresentado em antestreia francesa na quinta-feira, dia 8 de março, no cinema Le Lincoln, no âmbito da Semana dos Cinemas Estrangeiros em Paris.

Tudo começou quando propuseram a Ruben Alves, o realizador de «La Cage Dorée» de produzir um álbum de música, para a Universal France, de homenagem a Amália Rodrigues com as novas gerações de fadistas.

«A ideia da nossa produtora, a Imagina Produções, é sempre fazer ações transversais e pensámos no CD, numa obra de arte feita por Vhils para homenagear a Amália Rodrigues e, claro, esta aventura não podia terminar sem um documentário» disse por seu lado Christophe Fonseca, que fez o documentário «Amadeo de Souza Cardoso – O Último Segredo da Arte Moderna», criado para a exposição sobre o pintor português no Grand Palais, em Paris, em 2016, e que foi difundido, por exemplo, nas salas do Grand Palais e do Museu do Louvre, em Paris, e no MoMA, em Nova Iorque.

«A ideia do documentário é dar a conhecer o fado além fronteiras» conta Christophe Fonseca ao LusoJornal. «Partimos do princípio que não vamos dar uma definição do fado, não há uma definição do fado, cada um tem a sua própria definição».

«É que, de repente, estava com estes fadistas todos a gravar no estúdio da Valentim de Carvalho onde a Amália gravou e disse, se vou estar com eles todos, porque razão não filmo isso?» explica Ruben Alves. «O objetivo era sobretudo emocional. Vamos pegar numa câmara e vamos ter com as pessoas todas ligadas ao fado para perceber o que, para eles, significa o fado. Mas só perceber, só dar matéria às pessoas para verem. Não é de forma alguma um documentário histórico, não estamos aqui para definir o que é o fado, nem para escolher um bom fadista ou um mau fadista, é um percurso super aberto e é só o que as pessoas quiseram dar. Eu só pedi para me levarem a um sítio que represente o Fado, uma coisa importante e então foi um percurso natural, improvizado» conta ao LusoJornal numa entrevista antes da projeção do filme.

João Pinharanda, Diretor do Centro Cultural Português do Instituto Camões em Paris explicou que o filme estava a ser projetado no âmbito da Semana dos Cinemas Estrangeiros em Paris. «Este filme é imediatamente sobre música e identifica logo o país. Tem um potencial de atração do público francês e não é um filme de choradinho do fado. O fado não é tratado de maneira arcaica e saudosista, mas de uma maneira contemporânea», justificou.

Também o Embaixador de Portugal em Paris, Jorge Torres Pereira, usou da palavra. A Semana dos Cinemas Estrangeiros em Paris é organizado pelo conjunto dos Centros culturais estrangeiros na capital e este filme foi a escolha do Instituto Camões. «Calhou bem porque este ano o tema do festival é a música» explicou João Pinharanda.

«As Vozes do Fado», que foi apresentado a 02 de dezembro no Cinema São Jorge, em Lisboa, conta com a participação de Carlos do Carmo, Ana Moura, Mariza, Camané, Celeste Rodrigues, Carminho, Ricardo Ribeiro, Gisela João e Raquel Tavares.

«Desde que o fado passou a ser Património universal da Unesco, deixou de ser da Severa, da Amália, de um ou de outro fadista, de um só povo, de uma só cidade, é uma canção que pertence ao mundo e nós devemos ter todos um só dever que é o de partilhar e a ideia deste filme é mesmo uma partilha, é o grande objetivo do filme» confessa ao LusoJornal Christophe Fonseca. «É um filme simples, que pega na mão do espetador e oferece várias possibilidades de entrar dentro do universo do fado. Pode ser num grande concerto internacional, pode ser numa tasca de fados, no canto de uma rua, há várias maneiras de ir ao encontro do fado. E foi o objetivo deste filme: apresentar uma cidade, um meio e tivemos a sorte de termos várias figuras emblemáticas do fado que participaram no filme e a ideia era de eles partilharem um momento de intimidade, eles próprios darem soluções ao público, para entrar no mundo do fado. Mas também pessoas anónimas, amadoras, há um mundo do fado enorme e a ideia era dar várias pistas possíveis».

Até a Maire de Paris, Anne Hidalgo, diz o que pensa do Fado, ao lado do musicólogo Rui Vieira Nery.

Para além de Lisboa, «há uma parte filmada no Grand Rex, onde aconteceu um concerto com grandes fadistas em Paris, mas também vamos para o Porto, porque o fado não é só Lisboa, é também o Porto» diz Ruben Alves. «E Coimbra?», pergunta uma senhora na sala. Os dois realizadores explicaram que foram filmar a Coimbra, «até temos uma cena muito interessante de um rapaz que faz uma declaração de amor a uma rapariga, à janela da casa dela» explica Ruben Alves. «Mas não podiamos pôr tudo. O material que temos dava para um filme de 10 horas» confirma Christophe Fonseca.

«O que é fantástico no fado é que é uma canção que toca a todos. Vi pessoas que não falam português que se emocionaram de tal forma, a chorar ao ouvir fado, sem perceber português. E isto é a força do fado, é esta universalidade que fala a toda a gente» garante Christophe Fonseca.

«Para mim era importante marcar o momento: o que se estava a passar no fado naquele momento, em 2016. O Fado é uma música urbana que nasceu em Lisboa, mas hoje há novas gerações a gostarem do fado, há novas experiências e era importante dizer o que se estava a passar com o fado, naquele momento» diz Ruben Alves ao LusoJornal.

 

 

 

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