O romance “La Maison Vide”, do escritor francês Laurent Mauvignier, que venceu o Prémio Goncourt 2025, é também o vencedor do Choix Goncourt du Portugal 2025, anunciou o Institut Français, em Lisboa.
“La Maison Vide”, publicado pela Minuit, foi o escolhido a partir de uma lista de quatro finalistas, que contemplava também a escritora mauriciana-francesa Nathacha Appanah, com “La nuit au coeur”, o francês Emmanuel Carrère, com “Kolkhoze”, e a belga Caroline Lamarche, com “Le Bel Obscur”.
A escolha foi feita por um júri constituído por estudantes de língua francesa e literatura comparada de várias universidades portuguesas, que se reuniram ontem na Embaixada de França.
O escritor franco-argelino Kamel Daoud, vencedor do prémio Goncourt em 2024 com a obra “Houris”, marcou presença na cerimónia de proclamação do Choix Goncourt du Portugal, na qualidade de Presidente do júri.
“La Maison Vide” é uma saga familiar que atravessa 150 anos de história rural francesa, explorando os segredos, silêncios e heranças transmitidas entre gerações.
A partir da descoberta de uma casa abandonada, Laurent Mauvignier acompanha o destino de três mulheres marcadas pelas limitações impostas pela sociedade e pela família, num romance que reflete sobre a memória, a filiação, as violências invisíveis e as profundas transformações sociais do século XX.
Ambientada na década de 1970, a ação decorre em La Bassée, localidade inspirada na vila da Turene, antiga província de França onde o autor cresceu, e aborda também os rastos deixados pelas guerras e as relações de dominação da época.
Trata-se de uma história romanceada dos antepassados do autor, vista pela perspetiva das mulheres, e criada a partir de arquivos, cartas, fotografias antigas e recordações reconstruídas pela imaginação do autor, que recompõe a catástrofe familiar que moldou o seu passado.
Nascido em Tours, em 1967, Laurent Mauvignier é um romancista e dramaturgo com vasta obra publicada, entre a qual se destacam títulos como “Apprendre à finir” (2000, vencedor do Prémio Livre Inter e do Prémio Wepler), “Dans la la foule” (2006), “Des hommes” (2009), “Ce que j’appelle oubli” (2011), “Continuer” (2016) e “Histoires de la nuit” (2020).
No entanto, Laurent Mauvignier não tem qualquer obra traduzida e publicada em Portugal.
O Choix Goncourt du Portugal funciona como “um prémio do público” em que os estudantes universitários das áreas da língua francesa e literatura comparada são convidados a selecionar a obra vencedora por entre quatro finalistas do último Prémio Goncourt, neste caso referindo-se à edição de 2025.
Num primeiro momento, os estudantes universitários debatem e selecionam a sua escolha entre colegas e professores da sua universidade. Num segundo momento, um representante de cada universidade integra o júri nacional responsável pela escolha da obra vencedora.
Esta foi a quarta edição do Choix Goncourt du Portugal, uma iniciativa do Institut français du Portugal, da Embaixada de França em Portugal e da Agence Universitaire de la Francophonie, em parceria com a APEF (Association Portugaise d’Études Français).
No ano passado, o romance escolhido pelo Choix Goncourt du Portugal foi “Jacaranda”, do escritor franco-ruandês Gaël Faye.







