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A Secção portuguesa do Liceu internacional de Saint Germain-en-Laye (78), organiza uma Conferência comemorativa do 50° aniversário da Crise Académica da Universidade de Coimbra (1969) e o Diretor daquela Secção portuguesa, José Carlos Janela, convidou o conferencista Alberto Martins, na altura Presidente da Associação Académica de Coimbra [AAC], mas que mais tarde foi Deputado e Ministro nos Governos de António Guterres e de José Sócrates.

A Conferência terá lugar esta quarta-feira, dia 13 de novembro, entre as 14h00 e as 17h00 no anfiteatro do Château d’Hennemont, no Liceu internacional de Saint Germain-en-Laye.

Originário do Norte de Portugal, Alberto Martins formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e em fevereiro de 1969 foi eleito Presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), a maior associação de jovens da Europa.

A 17 de abril do mesmo ano, durante a cerimónia de inauguração da Faculdade de Matemáticas, Alberto Martins dirigiu-se ao Presidente da República da altura, Almirante Américo Tomás, pedindo a palavra em nome dos estudantes da Universidade de Coimbra. “Peço a palavra” disse na altura Alberto Martins. Mas não a chegou a ter!

No entanto, “este ato de coragem valeu-lhe a prisão às ordens da polícia política, a PIDE (Polícia de Investigação e Defesa do Estado), tristemente célebre. Libertado pouco depois, Alberto Martins tornou-se o rosto da luta da juventude portuguesa pela Liberdade e por um «Ensino para todos». O «Luto Académico» decretado e assumido pelos estudantes de Coimbra, incluiu greve às aulas, greve aos exames, anulação de festividades académicas («Queima da Fitas») e mesmo manifestações de luto nos estádios e recintos desportivos, com um momento alto na Final da Taça de Portugal, en junho de 1969, quando a Académica de Coimbra enfrentou o Sport Lisboa e Benfica” lê-se numa nota enviada às redações por José Carlos Janela. “Em outubro do mesmo ano, Alberto Martins e outros dirigentes académicos foram incorporados compulsivamente no Serviço militar. Os historiadores interrogam-se hoje (e com justeza) sobre a ação deste grupo (assaz numeroso) de universitários na difusão de ideias que mais tarde viriam ao de cima, na madrugada de 25 de abril de 1974”.

Após a Revolução dos Cravos, este antigo líder universitário foi eleito Deputado (1987), sendo reeleito em mandatos subsequentes. Exerceu a Presidência da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias entre 1995 e 1999. Neste último ano foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Em outubro de 1999, Alberto Martins integrou o Governo chefiado por António Guterres sendo Ministro da Reforma do Estado e da Administração Pública. Foi líder do Grupo Parlamentar do Partido Socialista Português entre 2005-2009 e entre 2013-2014. Regressou ao Governo em 2009, como Ministro da Justiça.

Alberto Martins é também autor de várias obras, entre as quais se contam Novo Direito dos Cidadãos (1994) e Direito à Cidadania (2000). Em março de 2019, publicou «Peço a Palavra – Coimbra 1969».

 

Linda de Suza 19/20
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