Conselho da Diáspora reuniu em Cascais

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, o antigo Primeiro Ministro Durão Barroso e dos Ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e da Economia, Manuel Caldeira Cabral, foram algumas das personalidades que participaram no Palácio da Cidadela, em Cascais, no encontro anual do Conselho da Diáspora Portuguesa

O Chefe de Estado fez um balanço de 2017, descrevendo-o como «um ano contraditório», declarando: «Ficou claro que, num ano de sucesso, havia fragilidades estruturais que vieram ao de cima, umas mais antigas, outras mais recentes, em matérias como a florestação, o ordenamento florestal, o combate em termos de segurança».

O Presidente da República começou por considerar que «Portugal teve um ano que reforçou a sua presença no mundo. E esse reforço é fruto de um percurso que vai dando resultados positivos, que estamos a examinar, que estamos a analisar e que estamos, sobretudo, a tentar maximizar para o futuro. É uma exigência», prosseguiu.

Segundo o Presidente da República, Portugal tem «ainda alguma dificuldade em formular consensos de regime explícitos», apesar de ter «um sistema político que, comparado com os europeus, é dos mais estáveis, atendendo aos populismos, às xenofobias, às crises partidárias».

Neste ponto, o Chefe de Estado observou: «Isso costuma dizer o Senhor Primeiro Ministro, de vez em quando, que resulta do facto de o Presidente da República ser crente e rezar muito e ele ser otimista». Perante alguns risos na assistência, acrescentou: «Mas, não está provado que a conjugação, só por si, chegue. Por muita oração que haja e por muito otimismo que exista, é preciso mais».

O Presidente da República sustentou hoje que nos últimos cinco anos houve uma «mudança de mentalidade» em Portugal e criaram-se consensos de regime implícitos sobre o défice, a dívida e o crescimento económico.

Dirigindo-se aos Conselheiros e dirigentes desta associação, o Chefe de Estado afirmou que «Portugal mudou e mudou muito» nos cinco anos que passaram desde 2012. «As pessoas não têm a noção. Eu espero que quem esteja de fora tenha aquele distanciamento que quem está no meio da floresta não vê. Mudou muito, conseguiu fazer consensos de regime mesmo que só implícitos», prosseguiu, dando um exemplo: «Há cinco ou seis anos, interiorizar que controlar o défice do Estado era uma prioridade nacional era falar nalguns países europeus, a começar na Alemanha».

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que esta «mudança de mentalidade» acompanha «uma revolução silenciosa» no mundo empresarial português, «que começou pelos empresários, micro, pequenos, médios empresários que se lançaram à vida» durante o recente período de crise e foram «operar noutros mercados».

«Houve uma reconversão», considerou, apontando a diplomacia económica como «outro caso de consenso de regime, não explicitado, nem assumido».

No final do seu discurso, o Presidente da República expressou o seu apoio «muito firme» a esta associação e salientou o facto de ter nomeado para membro do Conselho de Estado «um Conselheiro da Diáspora», António Damásio. «Foi um sinal que, no futuro, tem de ser alargado e deve ser alargado», declarou.

 

Conselho da Diáspora Portuguesa

O Conselho da Diáspora Portuguesa é uma associação sem fins lucrativos, constituída em dezembro de 2012, com o alto patrocínio do anterior Presidente da República, Cavaco Silva, destinada a institucionalizar uma rede de contactos entre portugueses e lusodescendentes residentes no estrangeiro, com posições de destaque.

Tem como Presidente honorário o Presidente da República e, atualmente, a sua Direção é presidida pelo empresário Filipe de Botton e Durão Barroso é Presidente da Mesa do Conselho da Diáspora.

De França, são membros do Conselho o realizador Christophe Fonseca e o galerista Philippe Mendes.

 

 

LusoJornal