
Montluel voltou a viver um daqueles momentos que ficam gravados na memória e no coração de quem os presencia. Nos dias 30 e 31 de maio, mais de 3.500 pessoas reuniram-se para celebrar a Festa de Nossa Senhora de Fátima, num fim de semana marcado pela fé, pela tradição portuguesa e por uma emoção difícil de descrever por palavras.
Vindos de vários pontos da região Auvergne-Rhône-Alpes, de outras regiões de França e até da vizinha Suíça, milhares de fiéis responderam ao convite da Comunidade portuguesa de Montluel para participar naquela que é hoje uma das mais importantes celebrações religiosas portuguesas em território francês.
Desde os primeiros momentos da festa, sentia-se algo especial no ambiente. Famílias inteiras, jovens, crianças e idosos reencontraram-se para partilhar não apenas uma tradição religiosa, mas também um pedaço das suas raízes e da sua identidade portuguesa.
A dimensão espiritual desta festa foi ainda enriquecida pela presença especial do Padre João Soares, vindo diretamente de Felgueiras, em Portugal, para acompanhar as celebrações. A sua participação foi recebida com grande alegria pelos fiéis, que apreciaram a proximidade, a simplicidade e as palavras de fé que dirigiu à Comunidade ao longo do fim de semana. A sua presença deu um significado ainda mais profundo a esta celebração, fortalecendo os laços que unem a Comunidade portuguesa emigrante às suas origens e à Igreja em Portugal.
No sábado à noite, a tradicional procissão das velas voltou a iluminar as ruas de Montluel. O silêncio, interrompido apenas pelas orações e pelos cânticos, criou um ambiente de profunda recolha espiritual. Centenas de velas desenharam um rio de luz que acompanhou Nossa Senhora de Fátima, num momento que emocionou muitos dos presentes.
O ponto alto da celebração aconteceu no domingo, com a missa solene e a grande procissão em honra de Nossa Senhora de Fátima. Ao longo do percurso, a devoção dos participantes era visível em cada olhar, em cada oração e em cada gesto. Muitos não esconderam a emoção ao ver passar a imagem da Virgem, carregada com orgulho e respeito.
Para a Comunidade portuguesa emigrante, esta festa representa muito mais do que uma simples celebração religiosa. É um elo que une gerações, uma ponte entre França e Portugal, um momento onde a saudade se transforma em encontro e onde as tradições continuam a ser transmitidas aos mais jovens.
A presença dos grupos folclóricos Os Lusitanos do Norte de Bernin e Estelas do Minho de Vaulx-em-Vélin, dos Bombos de Trévoux e dos muitos voluntários que tornam possível esta organização contribuiu para criar um ambiente de verdadeira festa popular portuguesa. Durante dois dias, Montluel falou português, cantou português e viveu ao ritmo das tradições que tantos emigrantes trouxeram consigo quando deixaram o seu país.




A programação da tarde trouxe igualmente momentos de grande animação e convívio. O público teve a oportunidade de assistir ao espetáculo do grupo Tradição d’Ouro, especialmente vindo de Portugal para participar nesta grande festa, que encantou os presentes com a sua energia e o seu repertório popular português. A festa prosseguiu depois com a atuação dos Anjos da Noite, vindos da Suíça, que fizeram cantar e dançar centenas de pessoas até ao final da tarde. Duas atuações muito aguardadas que contribuíram para criar um ambiente de alegria, de partilha e de celebração, reforçando o carácter festivo deste encontro tão especial da Comunidade portuguesa.
O sucesso desta edição é também o reflexo do trabalho extraordinário realizado ao longo de vários meses por dezenas de voluntários. Homens e mulheres que dedicam o seu tempo para que esta celebração continue a crescer ano após ano e permaneça uma referência para toda a Comunidade portuguesa da região.
Num mundo cada vez mais acelerado, a Festa de Nossa Senhora de Fátima de Montluel continua a lembrar que as tradições, quando vividas com coração, têm a capacidade de unir milhares de pessoas em torno dos mesmos valores.
E foi precisamente isso que aconteceu este fim de semana durante dois dias, Montluel transformou-se num verdadeiro pedaço de Portugal, onde a fé, a cultura e a fraternidade voltaram a caminhar lado a lado.
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Priscillia da Silva da Rocha




