As olheiras são uma das queixas estéticas mais frequentes em consulta. Podem transmitir uma aparência de cansaço, tristeza ou envelhecimento, mesmo quando dormimos bem e estamos saudáveis. E embora muitas pessoas procurem “o creme milagroso”, a verdade é que nem todas as olheiras são iguais – e perceber a sua origem é essencial para escolher o tratamento mais adequado.
Os vários tipos de olheiras
Este é um dos pontos mais importantes. Muitas vezes usamos o termo “olheiras” para descrever alterações muito diferentes na zona abaixo dos olhos.
As mais comuns são:
– Olheiras pigmentadas
Caracterizam-se por uma coloração acastanhada e estão frequentemente associadas à genética, exposição solar ou hiperpigmentação pós-inflamatória. São mais comuns em pessoas com pele mais morena.
– Olheiras vasculares
Têm um tom mais arroxeado, azulado ou avermelhado e estão relacionadas com a transparência da pele e com a circulação sanguínea da região periocular. Nestes casos, a pele abaixo dos olhos é extremamente fina, tornando os vasos mais visíveis.
– Olheiras estruturais
Resultam da anatomia do rosto e da perda de volume na região da olheira, criando sombras que dão um aspeto encovado e cansado. Tendem a surgir ou agravar-se com o envelhecimento.
– Bolsas e edema
Nem sempre são verdadeiras olheiras, mas frequentemente coexistem. O inchaço matinal ou as bolsas podem estar associados à retenção de líquidos, alergias, alterações do sono ou predisposição genética.
Na prática, muitas pessoas apresentam uma combinação destes fatores.
Como prevenir ou minimizar as olheiras
Nem sempre conseguimos evitar totalmente as olheiras, sobretudo quando existe uma componente genética importante. Ainda assim, alguns hábitos podem ajudar bastante a minimizar o problema.
Dormir bem continua a ser essencial. A privação de sono pode agravar o aspeto arroxeado e aumentar o inchaço da região ocular.
A proteção solar diária também faz diferença, sobretudo nas olheiras pigmentadas. O sol estimula a produção de melanina e pode tornar esta zona mais escura.
Outro ponto importante é controlar alergias e evitar esfregar os olhos com frequência, já que esse atrito pode aumentar a pigmentação e a inflamação local.
A hidratação, a redução do consumo excessivo de álcool e tabaco e uma alimentação equilibrada também ajudam a melhorar a qualidade da pele e da circulação.
Dormir com uma almofada mais alta
Dormir com a cabeça ligeiramente mais elevada facilita a drenagem de líquidos e pode reduzir o inchaço matinal e as bolsas abaixo dos olhos. Pelo contrário, dormir completamente “plano” ou com uma almofada muito baixa pode favorecer a acumulação de líquidos na região periocular durante a noite, especialmente em pessoas com tendência para edema.
Não é uma solução milagrosa, mas é uma dica simples que pode fazer diferença no dia a dia.
Os cremes para olheiras
Os cremes podem ser um excelente auxílio, mas é importante gerir expectativas.
Produtos com cafeína podem ajudar a descongestionar temporariamente a região.
Ingredientes como vitamina C, ácido hialurónico, retinol ou niacinamida podem melhorar textura, luminosidade e hidratação.
No entanto, quando existe perda de volume, predisposição genética marcada ou alterações estruturais, os cremes têm um efeito mais limitado.
Tratamentos mais eficazes
O tratamento depende sempre do tipo de olheira.
Na Medicina Estética, existem várias abordagens possíveis:
– Ácido hialurónico
É um dos tratamentos mais procurados para olheiras fundas ou encovadas. Permite preencher, devolver suporte e suavizar a sombra da região, quando bem indicado e executado por um médico experiente.
– Bioestimuladores e skinboosters
Podem melhorar a qualidade da pele, a hidratação e a luminosidade da zona periocular.
– Microagulhamento e peelings específicos
Podem ajudar em alguns casos de hiperpigmentações.
– Lasers e luz pulsada
São úteis sobretudo em componentes vasculares ou pigmentadas, ajudando a uniformizar a cor da pele.
– Drenagem linfática e radiofrequência
Podem contribuir para reduzir edema e melhorar o aspeto de bolsas ligeiras.
Mais importante do que seguir tendências é fazer uma avaliação individualizada. A zona dos olhos é delicada e exige conhecimento anatómico e experiência.
Existem também medidas simples que podem melhorar temporariamente o aspeto das olheiras:
– Aplicar compressas frias ou colheres frias na região ocular;
– Reduzir o excesso de sal na alimentação, sobretudo à noite;
– Evitar ecrãs antes de dormir e melhorar a qualidade do sono;
– Manter uma boa hidratação;
– Usar óculos de sol para proteger a região periocular;
– Evitar fumar.
As olheiras não significam necessariamente doença ou falta de descanso. Muitas vezes fazem parte da nossa genética e anatomia. Ainda assim, compreender a sua origem permite escolher estratégias mais eficazes e realistas para melhorar o olhar – sem promessas impossíveis.
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Dr. Ricardo Moutinho Guilherme
Medicina Estética e Antienvelhecimento
Medicina Geral e Familiar
ClínicaLab – Cascais






