Saúde: Melanoma no couro cabeludo


Em maio assinala-se o Mês do Melanoma e há uma área frequentemente ignorada quando falamos de prevenção: o couro cabeludo. Mais exposto do que parece e muitas vezes fora da rotina de vigilância, pode esconder sinais difíceis de detetar atempadamente. A verdade é que proteger a pele não chega. É fundamental incluir o couro cabeludo na sua rotina de cuidado.

O melanoma é o tipo mais agressivo de cancro de pele. Desenvolve-se a partir dos melanócitos, as células responsáveis pela pigmentação da pele, e pode surgir em qualquer parte do corpo. Embora represente apenas cerca de 1% dos cancros de pele, é responsável pela maioria das mortes associadas. A principal causa está associada à exposição excessiva à radiação ultravioleta (UV), sendo que, segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 80% dos casos estão relacionados com esse fator.

O couro cabeludo é uma das áreas mais expostas ao sol, especialmente em casos de:

– Rarefação capilar

– Alopécia

– Cabelo fino ou com pouca densidade 

Estudos indicam que os melanomas nesta zona tendem a apresentar pior prognóstico, muitas vezes devido a diagnóstico tardio.

Isto acontece porque:

– São mais difíceis de detetar

– Nem sempre são visíveis no dia a dia

– Muitas vezes não são incluídos na rotina de vigilância

Por isso, incluir o couro cabeludo na sua rotina de cuidado é essencial.

Sinais de alerta: regra ABCDE

Uma das formas mais eficazes de identificar possíveis melanomas é através da regra ABCDE: A – Assimetria: uma metade diferente da outra B – Bordos: irregulares ou mal definidos C – Cor: variações de cor na mesma lesão D – Diâmetro: superior a 6 mm E – Evolução: alterações ao longo do tempo. Se identificar algum destes sinais, deve procurar avaliação médica.

A exposição solar e o impacto no cabelo

A radiação UV não afeta apenas a pele, tem também impacto direto na saúde capilar. Entre os principais efeitos estão:

– Enfraquecimento da fibra capilar

– Aumento do stress oxidativo no folículo

– Inflamação do couro cabeludo

– Agravamento da queda de cabelo

A exposição solar prolongada pode, assim, comprometer não só a qualidade do cabelo, mas também o equilíbrio do couro cabeludo.

Como proteger o couro cabeludo e o cabelo do sol

Adotar medidas de proteção é fundamental tanto para prevenir o melanoma como para preservar a saúde capilar.

✔ Proteção diária – Aplicar protetor solar (incluindo no couro cabeludo, quando exposto) Optar por fórmulas adaptadas (spray, stick ou bruma)

✔ Proteção física – Usar chapéus ou bonés. Procurar sombra sempre que possível

✔ Hábitos a evitar – Exposição solar entre as 11h e as 17h Exposição prolongada sem proteção

✔ Vigilância regular – Observar sinais na pele e no couro cabeludo. Estar atento a alterações de textura, cor ou sensibilidade

Quem tem maior risco de melanoma?

Alguns fatores aumentam o risco:

– Pele clara

– Histórico de queimaduras solares (especialmente na infância)

– Exposição solar frequente ou intensa

– Presença de muitos sinais

– Histórico familiar

Importa reforçar que o melanoma pode afetar qualquer pessoa, independentemente do fototipo.

Quando procurar ajuda médica?

Deve procurar avaliação se notar:

– Alterações em sinais existentes

– Novas manchas no couro cabeludo

– Comichão, dor ou sensibilidade persistente

– Queda de cabelo associada a inflamação ou desconforto

De ressalvar que uma avaliação precoce faz toda a diferença. A importância de uma abordagem integrada: pele e couro cabeludo

A saúde capilar não pode ser dissociada da saúde da pele. O couro cabeludo é uma extensão direta da pele e está sujeito aos mesmos riscos, incluindo os efeitos da radiação solar. Uma abordagem integrada permite:

– Diagnóstico precoce

– Prevenção eficaz

– Tratamento adequado às necessidades individuais

Proteja hoje, previna amanhã

A prevenção é o fator mais importante no combate ao melanoma. Pequenos gestos diários podem reduzir significativamente o risco e proteger, não só a sua pele, mas também o seu cabelo. Se coloca o seu coro cabeludo exposto às radiações solares frequentemente, sinais de queda de cabelo ou alterações visíveis exigem uma avaliação médica especializada.

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Dr. Carlos Portinha

Médico

Diretor clínico grupo Insparya

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